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CNU 2025: provas discursivas são divulgadas; veja o que caiu e o que dizem professores

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CNU 2025: provas discursivas são divulgadas; veja o que caiu e o que dizem professores




CNU 2025: como será formato, pesos, critérios e regras da prova discursiva
Os temas das provas discursivas e redação do Concurso Nacional Unificado (CNU) foram divulgados nesta segunda-feira (8).
Os candidatos podem acessar os cadernos de provas para nível superior e nível médio por meio do site oficial da Fundação Getulio Vargas (FGV).
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Os temas variaram conforme o bloco temático escolhido pelo candidato. Abaixo, confira os assuntos disponíveis em cada um dos nove blocos.
Bloco 1: Seguridade Social (Saúde, Assistência Social e Previdência Social)
Democracia é Saúde: participação social, equidade nas políticas públicas e Desastres Climáticos, Equidade e Intersetorialidade;

Bloco 2: Cultura e Educação
Inclusão Digital e Políticas Públicas Relacionadas à Cultura

Bloco 3: Ciências, Dados e Tecnologia As relações entre o avanço das novas tecnologias e suas repercussões econômicas e sociais

Bloco 4: Engenharias e Arquitetura Planejamento e integração de projetos voltados à infraestrutura pública, com foco em saneamento básico, acessibilidade, sustentabilidade e atendimento às normas técnicas e legais

Bloco 5: Administração
Emendas Parlamentares e Comunicação Pública

Bloco 6: Desenvolvimento Socioeconômico
Mercado de trabalho e extensão rural

Bloco 7: Justiça e Defesa Princípios do Direito Internacional Público e Humanitário, Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS)

Bloco 8: Intermediário – Saúde A relação entre as ocupações irregulares nas grandes cidades, os impactos na saúde e o papel do poder público

Bloco 9: Intermediário – Regulação Mobilidade Urbana: O papel do estado na implantação e popularização do transporte coletivo de qualidade, além da ação que as agências reguladoras
Essa é a segunda segunda edição do CNU. A seleção deste ano oferece mais de 3,6 mil vagas, com salários iniciais que chegam em até R$ 16,4 mil.
Professores do Estratégia Concursos e do Gran Concursos, ouvidos pelo g1, analisaram os temas, explicaram os caminhos mais seguros pra cada resposta e alertaram sobre os pontos de atenção em todos os blocos.
Ao longo desta reportagem, você acompanha esses comentários e consegue comparar com o que fez na prova.
Segunda edição do Concurso Nacional Unificado (CNU
Ministério da Gestão e Inovação
O que os professores acharam dos temas?
Bloco 1: Seguridade Social (Saúde, Assistência Social e Previdência Social)
De acordo com Lígia Carvalheiro e Nilza Ciciliati, professoras do Estratégia Concursos, as questões do Bloco 1 abordaram temas centrais para saúde e assistência social, mas surpreenderam pela forma como foram apresentadas.
A primeira questão tratou da relação entre democracia e saúde, exigindo articulação entre participação social, SUS, SUAS e gestão democrática. Era esperado que o candidato conectasse a fala histórica de Sérgio Arouca aos mecanismos atuais, como conselhos e conferências, e exemplificasse ações concretas. O domínio da legislação — Constituição de 1988, LOAS e PNAS — foi considerado um diferencial.
Segundo as professoras, a questão também pedia exemplos que relacionassem democracia, equidade e cidadania, como aprovação de planos priorizando áreas de risco ou implantação de Consultórios de Rua. Políticas como a de Saúde Mental ou a PNAB poderiam ser citadas para mostrar participação social nos Conselhos Gestores. A introdução deveria ser objetiva, apresentando o tema sem tentar abordar todos os tópicos de uma vez.
A segunda questão trouxe um tema mais inesperado: desastres climáticos, equidade e intersetorialidade. O candidato precisava explicar equidade como princípio, diferenciando-a da igualdade, e discutir justiça social como objetivo ético.
Também era necessário mostrar a integração SUS–SUAS para enfrentar desastres, com exemplos como planos de contingência, mapeamento de riscos e articulação com defesa civil. Entre os desafios, destacam-se falta de dados, subfinanciamento e lacunas na capacitação das equipes.
Bloco 2: Cultura e Educação
As questões deste bloco trataram de inclusão digital e políticas culturais, temas previstos no edital.
A primeira questão exigiu que o candidato relacionasse os conceitos de conectividade significativa e capacidades humanas, explicando como o acesso à internet qualificada amplia direitos e liberdades, segundo Júlia Branco, professora do Estratégia Concursos.
Também era necessário apontar barreiras, como baixa alfabetização digital e custo da banda larga, e propor estratégias para ampliar a conectividade, especialmente para grupos vulneráveis.
Na segunda questão, o candidato deveria identificar duas formas de manifestação cultural: em espaços institucionalizados, como museus e teatros, e nas comunidades, por meio de coletivos locais.
Para Júlia, era importante discutir a dificuldade de acesso aos espaços formais e articular a Política Nacional de Cultura Viva com os pontos e pontos de cultura, destacando seu papel no mapeamento das manifestações e na distribuição de recursos para reduzir desigualdades.
Bloco 3: Ciências, Dados e Tecnologia
No bloco 3, foram tratados a soberania digital do Brasil e dos impactos socioeconômicos do avanço acelerado da inteligência artificial, especialmente sobre o mundo do trabalho e as políticas públicas.
Segundo o professor Eduardo Cambuy, do Gran Concursos, a prova discursiva do bloco 3 exigiu bastante domínio técnico, mas seguiu um padrão já esperado pelos candidatos. “Na primeira questão, o foco foi totalmente nas novas tecnologias e em suas repercussões econômicas e sociais, com destaque para a Inteligência Artificial”, afirmou o especialista.
“A banca pediu a análise dos impactos da expansão da IA sobre o mundo do trabalho e, em seguida, a apresentação de uma política ou medida regulatória para mitigar efeitos negativos, em uma estrutura que facilitou a organização da resposta”, explicou.
Para Cambuy, “foi uma prova técnica, mas totalmente dentro do que havíamos previsto”. Sobre a segunda questão do bloco 3, o professor ressaltou que o tema da soberania digital já havia sido trabalhado no ítem anterior.
“O candidato precisou escolher duas categorias de soberania digital indicadas no texto-base e avaliar como os princípios da Estratégia Federal de Governo Digital (EFGD) que contribuem para sua promoção. Também foi necessário propor uma ação concreta para fortalecer a soberania digital e de dados no Brasil, com a devida justificativa”, afirmou.
Segundo Cambuy, o fechamento exigiu uma análise mais abrangente. “Era preciso discutir a viabilidade de implementação da proposta, considerando instituições, políticas públicas, marco legal, infraestrutura tecnológica e competências científicas e tecnológicas do país. Na prática, tratava-se de uma terceira argumentação, já encaminhando a conclusão”, explicou.
Bloco 4: Engenharias e Arquitetura
No bloco 4, foram abordados o planejamento e integração de projetos de engenharia voltados à infraestrutura pública, com foco em saneamento básico, acessibilidade, sustentabilidade e atendimento às normas técnicas e legais.
De acordo com professores do Gran Concursos, esse foi um dos blocos mais difíceis da prova discursiva, com questões extensas, quadros explicativos, além de 3 a 4 itens para análise por enunciado. Para Eduardo Cambuy, o principal desafio foi cumprir rigorosamente os comandos.
“Cada um desses itens daria uma redação de 30 linhas, então esse já foi um primeiro desafio para os candidatos. Além disso, quando a banca usa o plural ou impõe uma abordagem qualitativa, o candidato precisa apresentar, no mínimo, dois aspectos ou soluções, sempre focando em elementos substanciais”, explicou.
Ele também destacou que a banca indicou claramente o caminho das respostas ao apontar critérios objetivos, como inclinação, corrimão e espaço, reforçando temas transversais como mobilidade e acessibilidade. Na avaliação de Aragonê Fernandes, professor de Direito Constitucional, a prova enfatizou a necessidade de integração entre áreas técnicas.
“O enunciado deixa claro que engenheiros e arquitetos não atuam sozinhos. A proposta é pensar projetos de forma integrada, evitando retrabalho”, afirmou. Segundo ele, o foco em acessibilidade dialoga com o envelhecimento da população brasileira e com políticas públicas atuais.
Já na segunda questão, o destaque foi o saneamento básico, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde fatores logísticos, geográficos e hidrográficos dificultam a implementação de soluções eficazes. Para Letícia Bastos, professora de Língua Portuguesa, o quarto item da primeira questão exigiu atenção redobrada.
“A banca cobrou a menção nominal das equipes estrutural, mecânica, hidráulica e de arquitetura, não permitindo respostas genéricas”, ressaltou. De acordo com a docente, esse formato reflete o estilo da FGV, que costuma concentrar vários aspectos em uma única questão.
Bloco 5: Administração
Segundo o professor Stefan Fantini, do Estratégia Concursos, as questões discursivas do Bloco 5 abordaram dois temas atuais e desafiadores na Administração Pública: o peso das emendas parlamentares e os dilemas da comunicação governamental nas redes sociais. Segundo ele, muitos candidatos tiveram dificuldade porque esperavam temas mais amplos e neutros, mas encontraram problemas práticos de gestão, exigindo raciocínio crítico e visão integrada.
Na questão sobre emendas parlamentares, era necessário unir três pontos: conceitos orçamentários (tipos de emendas e caráter impositivo), regras da Lei 13.019/2014 e estratégias para uma Organização da Sociedade Civil captar recursos.
O professor destaca que respostas fragmentadas perderam força, pois a banca buscava uma abordagem completa, incluindo transparência, governança e qualidade do gasto.
Já na questão sobre comunicação pública, o desafio foi diferenciar comunicação institucional de conteúdo promocional e analisar os riscos do uso de linguagem humorística por órgãos públicos. De acordo com Fantini, o candidato precisava propor uma estratégia voltada aos jovens, explicando como ela fortaleceria transparência, confiança social e governança, sem comprometer a credibilidade institucional.
Para o professor, o conjunto das questões deixou claro que decorar conceitos não basta: é preciso interpretar, conectar teoria à prática e apresentar soluções coerentes. Quem conseguiu fazer isso, afirma Fantini, saiu na frente.
Bloco 6: Desenvolvimento Socioeconômico
As duas questões do bloco foram pertinentes e alinhadas à realidade brasileira. A primeira abordou aspectos do mercado de trabalho, como a baixa taxa de desemprego, aumento das solicitações do seguro-desemprego e impacto das políticas de proteção ao trabalhador, seja pelo mercado ou pela assistência social.
O candidato precisava articular esses elementos sem cair em respostas superficiais, pontua Amanda Aires, professora do Estratégia Concursos.
Já a segunda questão destacou a importância da extensão rural, com ênfase no papel da Embrapa, e exigiu a proposição de duas parcerias público-privadas. Segundo Amanda Aires, quem se limitou à teoria pode ter enfrentado dificuldades, pois a banca esperava soluções práticas e contextualizadas.
Para a professora, um ponto comum às duas questões foi a necessidade de gerenciar bem o espaço, já que os comandos traziam muitos elementos e o limite era de 30 linhas. Além disso, aspectos de língua portuguesa representaram 50% da nota, o que penalizou candidatos que falharam em coesão, coerência ou gestão das linhas.
Bloco 7: Justiça e Defesa
O bloco 7 abordou os princípios do Direito Internacional Público e Humanitário, Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS), ambos os temas previstos em edital.
Segundo Aragonê Fernandes, professor de Direito Constitucional, a prova discursiva do Bloco 7 apresentou uma estrutura diferente em relação aos demais blocos de nível superior. “A primeira questão trouxe itens muito específicos e baseados em situações concretas, o que exigiu do candidato uma análise mais aplicada, menos genérica”, avaliou.
Na mesma linha, Letícia Bastos, professora de Língua Portuguesa do Gran Concursos, destacou que a FGV adotou o formato de estudo de caso logo na primeira questão. “A banca contou uma história e formulou perguntas a partir desse contexto. O candidato precisava necessariamente relacionar a resposta ao texto motivador, mencionando o caso e os personagens apresentados. Não era possível responder de forma abstrata”, explicou.
Segundo a professora, essa característica diferenciou a prova do Bloco 7. “Até então, vínhamos observando questões discursivas mais amplas e abertas. Já na segunda questão, apesar de não ser um estudo de caso, os comandos foram longos, detalhados e bastante específicos, o que também exigiu atenção redobrada na interpretação do enunciado”, concluiu.
Bloco 8: Intermediário – Saúde
O bloco 8, por sua vez, tratou a relação entre ocupações irregulares nas grandes cidades, os impactos na saúde e o papel do poder público. Segundo Letícia Bastos, professora de Língua Portuguesa, a redação deste bloco seguiu de forma consistente o que estava previsto no edital.
“A FGV propôs uma dissertação argumentativa com base em textos motivadores, abordando temas ligados à saúde pública. O assunto dialoga diretamente com o eixo temático do bloco, envolvendo determinantes sociais, desigualdades regionais e políticas públicas”, explicou.
De acordo com a professora, a banca valorizou a capacidade de análise crítica dos candidatos. “Esperava-se que o participante fosse capaz de identificar problemas sanitários decorrentes da urbanização desordenada, como surtos de doenças, falta de saneamento e dificuldade de acesso aos serviços de saúde, além de propor medidas governamentais viáveis e articuladas”, explicou
“Era preciso demonstrar conhecimento técnico, responsabilidade social e ir além do senso comum, com argumentos estruturados e exemplos pertinentes”, completou a professora. Para Letícia Bastos, a escolha do tema não foi surpreendente.
“A relação entre desigualdade social, ocupações irregulares e impactos na saúde é amplamente discutida na saúde pública brasileira, sobretudo em cidades que cresceram sem planejamento. A FGV optou por um tema que exige visão sistêmica, empatia e compromisso ético, avaliando não apenas o domínio de conteúdo, mas a capacidade de interpretar cenários complexos e propor soluções concretas”, concluiu.
Bloco 9: Intermediário – Regulação
A redação do bloco 9 tinha como tema a mobilidade urbana. O candidato deveria comentar sobre o papel do estado na implantação e na popularização do transporte coletivo de qualidade, além das ações que as agências reguladoras deveriam promover para melhoria da mobilidade urbana.
Segundo o professor Herbert Almeida, do Estratégia Concursos, na redação do Bloco 9 a maior dificuldade era estruturar as ideias. “É um tema geral e de amplo conhecimento, mas os candidatos tiveram algumas dificuldades, principalmente com a quantidade de informações que poderiam ser abordadas”, explicou.
Um exemplo levantado pelo professor é que no papel do Estado, era possível comentar sobre investimentos em infraestrutura, segurança no transporte coletivo, integração entre os diferentes modais, investimento em campanhas para popularizar o transporte coletivo, entre outros.
Sobre as agências reguladoras, o professor destacou que o desafio foi ainda maior devido à escassez de órgãos especializados em transporte urbano no Brasil, ponto inclusive abordado nos textos motivadores.
“Ainda assim, era possível citar ações como incentivo à concorrência, participação do usuário na administração pública e a normatização do setor com disseminação de boas práticas”, explicou. Segundo ele, o fundamental foi selecionar poucas medidas, justificá-las com dados e respeitar o espaço da redação.
Para Rodolfo Gracioli, o tema tem caráter atual e estrutural, dialogando com o direito social ao transporte previsto na Constituição e com o crescimento urbano desordenado. “Quando a mobilidade urbana não é garantida, as desigualdades sociais se aprofundam”, afirmou. Na avaliação do professor, a banca acertou ao escolher um tema socialmente relevante, conectado ao bloco e ao cenário atual.
Movimentação de candidatos antes da abertura dos portões para a realização das provas do Concurso Nacional Unificado (CNU) 2025.
WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO
📆 Próximos Passos
8 a 17 de dezembro – Caracterização da deficiência + verificação de autodeclaração (vagas para pessoas negras, indígenas e quilombolas)
8 de janeiro de 2026 – Resultado preliminar da Avaliação de Títulos
9 a 12 de janeiro de 2026 – Recursos do resultado preliminar da Avaliação de Títulos
15 de janeiro de 2026 – Resultados preliminares da avaliação de autodeclaração e caracterização da deficiência
16 a 19 de janeiro de 2026 – Recursos para avaliação de autodeclaração e caracterização da deficiência
23 de janeiro de 2026 – Divulgação da nota preliminar e espelho de correção
26 e 27 de janeiro de 2026 – Prazo para recursos
18 de fevereiro de 2026 – Resultado dos pedidos de revisão das notas de títulos + resultado definitivo da verificação documental da autodeclaração e caracterização da deficiência
18 de fevereiro de 2026 – Resultado dos pedidos de revisão e nota definitiva da prova discursiva
20 de fevereiro de 2026 – Divulgação das listas de classificação (vagas imediatas e lista de espera) + 1ª convocação para confirmação de interesse dos classificados
CNU 2025: cerca de 80% dos inscritos compareceram às provas discursivas
CNU 2025: veja o que pode zerar sua resposta nas provas discursivas

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