Neste final de semana aconteceram as primeiras convenções partidárias do ciclo eleitoral de 2026. Elas podem ser realizadas até 5 de agosto e os partidos podem registrar suas candidaturas até 15 de agosto. A campanha eleitoral oficial, com propaganda, só começa em 16 de agosto. A propaganda no rádio e na televisão, ainda mais tarde, em 28 de agosto.
O calendário ajuda a entender por que, faltando pouco mais de dois meses para a eleição, ainda se discute quem ocupará a vice na chapa de Flávio Bolsonaro e se outros partidos o apoiarão formalmente.
Para candidatos conhecidos, e especialmente postulantes a cargos majoritários, tudo vira notícia e negociação, até bate-boca em família. Para quem tenta conquistar pela primeira vez uma cadeira na Câmara, no Senado ou nas assembleias estaduais, cada semana perdida significa menos tempo para se apresentar ao eleitor.
A redução do período eleitoral foi aprovada em 2015 sob a justificativa de diminuir os custos das campanhas. As convenções tiveram o prazo final adiado em mais de 30 dias. A propaganda, que começava em 6 de julho, foi postergada para 16 de agosto. A propaganda no rádio e TV encolheu de 45 para 35 dias.
A mudança acentuou a desigualdade entre incumbentes, aqueles que estão exercendo mandato eletivo, e desafiantes. O exercício do mandato, e as verbas de gabinete, lhes permite viajar, participar de eventos, divulgar realizações e manter contato permanente com lideranças locais. Quando a campanha começa, seus nomes, equipes e redes políticas já estão estabelecidos.
Os recursos do fundo eleitoral só podem ser utilizados após o registro da candidatura na Justiça Eleitoral e a abertura de conta específica. Sem a visibilidade, as redes de apoio e a estrutura acumuladas no exercício do mandato, quem financia a atuação dos desafiantes até lá?
Para presidente e governador, a cobertura da imprensa antecipa a disputa. Já candidatos às casas legislativas dependem muito mais do período oficial para chegar ao eleitor. Quanto mais tarde forem confirmados, menor a possibilidade de romper a barreira do desconhecimento.
Uma década depois da reforma, vale reexaminar sua justificativa. A internet reduziu custos de comunicação e ampliou o contato direto, embora também tenha criado novas despesas. Ao mesmo tempo, o fundo eleitoral tornou-se bilionário e as campanhas não deixaram de ser caras.
Dados organizados por Arthur Fisch mostram que, em 2022, as cerca de 10 mil candidaturas à Câmara dos Deputados receberam 50,1% de tudo o que foi arrecadado nas campanhas para todos os cargos. Os 513 eleitos concentraram 55,5% dos recursos destinados às candidaturas à Câmara.
Não há sinal de que o encurtamento tenha barateado a competição.
O prejuízo não é apenas dos candidatos desafiantes. O eleitor também tem menos tempo para conhecer nomes, comparar trajetórias e avaliar propostas. A Justiça Eleitoral dispõe de um intervalo estreito para examinar os registros antes da votação.
Em uma eleição de data conhecida com anos de antecedência, não há razão para comprimir tanto a definição das candidaturas e a campanha: prazos curtos protegem quem já ocupa o poder, dificultam a renovação e tornam a escolha menos informada.
