O senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem considerado o nome da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques (Republicanos) como possível candidata a vice da chapa, diante do que aliados descrevem como falta de opções.
Segundo relatos, Flávio afirmou a pessoas próximas que Daniella seria um bom nome para a vaga. Além disso, integrantes do PL e do Republicanos dizem que aumentou nas últimas semanas a chance de uma coligação entre os dois partidos nas eleições.
Ainda assim, a possibilidade de que Daniella seja escolhida por Flávio já tem causado incômodo no Republicanos. Daniella se filiou ao partido em abril, sem avisar a direção nacional, e ainda não conversou pessoalmente com o presidente, o deputado federal Marcos Pereira (SP).
Um membro do Republicanos que preferiu não se identificar diz que a eventual escolha por parte de Flávio traria problemas com correligionários mais antigos. Isso porque, de forma reservada, integrantes do partido ressaltam que Daniella é recém-filiada e que a legenda não se sentiria plenamente contemplada pelo gesto.
Hoje, a avaliação na cúpula do Republicanos é a de que uma eventual composição com o PL deve ser adiada o máximo possível porque, desde que a relação de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, foi exposta, sua pré-candidatura acumula escândalos.
A última crise, na visão do partido, ocorreu na semana passada, quando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) disse que Flávio a maltratou, humilhou e deixou subentendido que não queria a participação dela na campanha.
Nesta quarta-feira (1º), Flávio também precisou responder à insinuação feita por Michelle de que teria participado de festas promovidas por Vorcaro. Ao lado da esposa, Fernanda Bolsonaro, o senador afirmou que a madrasta está “completamente desinformada”.
A candidatura de Flávio enfrenta há meses um impasse em torno da escolha do vice, sobretudo pela falta de apoio de outros partidos. Além disso, pesquisas encomendadas pelo PL indicam que os nomes testados não trazem votos para Flávio, como mostrou a Folha.
Parlamentares já vinham defendendo o nome de uma mulher para tentar diminuir a rejeição do eleitorado feminino, mas a demanda ficou ainda maior depois das duras críticas feitas por Michelle e pela decisão dela de deixar a presidência do PL Mulher.
Daniella pediu licença da gestora de investimentos na qual trabalhava em junho para se dedicar integralmente à campanha de Flávio. Durante o governo Jair Bolsonaro (PL), ela foi uma das principais auxiliares do ex-ministro da Economia Paulo Guedes e presidiu a Caixa a partir de julho de 2022, após a demissão de Pedro Guimarães por assédio sexual e moral.
Ela era presidente do banco quando houve o lançamento do empréstimo consignado a beneficiários do Bolsa Família, às vésperas das eleições de 2022. A linha de crédito foi suspensa no começo do governo Lula (PT), quando a inadimplência chegava a 80%.
Daniella tem ganhado espaço na pré-campanha de Flávio e é apontada como possível ministra, em caso de vitória. Nesta quarta, ela abriu a reunião do pré-candidato com um grupo de mulheres e ficou ao lado dele e da esposa.
A ex-presidente da Caixa está responsável pelo eixo do programa de governo de Flávio que será voltado para o eleitorado feminino. A ideia é apresentar o plano, batizado de “Brasil Por Elas”, no próximo dia 15.
Nos últimos meses, o PL incluiu nas pesquisas internas os nomes da senadora Tereza Cristina (PP-MS), das deputadas federais Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE) e da vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL).
Principal aposta do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, Tereza recusa a possibilidade. Com a aliança com o PP travada, outros nomes do PL também são aventados, como o das deputadas federais Júlia Zanatta (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF).
O Republicanos já descarta uma aliança com Lula ou com qualquer outro candidato da direita, mas ainda cogita ficar neutro —o que deixaria os diretórios estaduais livres para apoiarem quem quiserem.
Integrantes do Republicanos dizem que ainda não houve uma conversa formal com a pré-campanha de Flávio sobre a Vice-Presidência e que a composição também depende de outros acertos.
Uma das demandas do partido é o apoio do PL ao governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), que vai disputar as eleições. O PL lançou o senador Wellington Fagundes como pré-candidato a governador.
Parte da sigla diz que a aliança com Flávio será positiva nos três maiores colégios eleitorais, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, e que só haveria problemas em poucos estados do Nordeste, como Pernambuco e Paraíba.
Em Pernambuco, o ex-ministro de Portos Silvinho Costa Filho (Republicanos) está fechado com Lula. O irmão dele, Carlos Costa (Republicanos), é candidato a vice na chapa do ex-prefeito João Campos (PSB) ao governo do estadual.
Na Paraíba, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem buscado se aproximar do petista para tentar eleger o pai, o ex-prefeito de Patos Nabor Wanderley (Republicanos), ao Senado.
