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Novo ‘morango do amor’? Entenda por que bolo‑pudim virou febre em 2026
Reprodução/Youtube
Depois do “morango do amor”, que viralizou nas redes sociais no ano passado, uma nova febre gastronômica tem tomado conta da internet em 2026: o bolo‑pudim.
A sobremesa, que combina duas receitas clássicas da confeitaria brasileira, se espalhou rapidamente por vídeos nas redes sociais, impulsionou vendas e virou aposta de pequenos empreendedores em diferentes regiões do país.
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Em Belo Horizonte (MG), por exemplo, a confeiteira Maria Tereza dos Santos vendeu mais de 400 pedaços de bolo‑pudim em poucas horas durante uma feira hippie realizada em janeiro.
Por volta das 7h, já havia fila de clientes à espera do doce, vendido a R$ 25 a unidade. Algumas pessoas chegaram a aguardar até duas horas. Antes mesmo do fim da feira, por volta das 11h, todas as fatias já haviam se esgotado.
Vídeos em alta no g1
O sucesso também se repetiu com a empreendedora Elisângela da Silva Marques, em São José do Rio Preto (SP). Ela vendeu mais de 600 fatias em apenas duas horas em uma barraca montada em um canteiro da cidade.
Para dar conta da demanda, as massas são preparadas às quartas‑feiras e a montagem acontece às sextas. Ao todo, são produzidos 20 bolos, com média de 30 fatias cada. A equipe reúne oito pessoas, incluindo familiares.
Já em Juiz de Fora (MG), a confeiteira Raphaela Garbeto Brandi afirma ter vendido mais de 500 fatias em apenas dez dias, além de diversos bolos inteiros.
O preparo e o corte do doce chamaram tanta atenção nas redes sociais que os vídeos publicados ultrapassaram 18 milhões de visualizações. Hoje, o perfil da confeiteira soma mais de 20 mil seguidores.
Carro-chefe de confeiteira é bolo de pudim em Rio Preto (SP)
Lisa Cake Design/Arquivo pessoa
Mas o que explica tamanho sucesso? 🤔
Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que o bolo‑pudim reúne dois fatores centrais do consumo contemporâneo: memória afetiva e forte apelo visual, potencializados pela lógica das redes sociais, que aceleram a transformação de tendências gastronômicas em fenômenos quase instantâneos.
Segundo Bruno Sola, especialista em marketing e CEO da agência Bunch Marketing & Growth, produtos com forte apelo visual, afetivo e sensorial encontram terreno fértil em plataformas como TikTok e Instagram.
“Vídeos curtos e imagens impactantes despertam desejo imediato. A curiosidade gerada no ambiente digital rapidamente se converte em demanda no mundo real”, analisa.
De acordo com ele, o sucesso dessas tendências vai além da estética. “Produtos que combinam nostalgia, curiosidade, indulgência e experiência sensorial acionam gatilhos emocionais que geram mais compartilhamentos, comentários e conteúdos espontâneos. Isso cria um efeito de validação social que impulsiona ainda mais a procura”, explica.
Para empreendedores menores, esse movimento representa uma oportunidade estratégica de crescimento orgânico. “Pequenos negócios conseguem testar sabores, formatos, embalagens e apresentações em tempo real, surfando tendências antes que elas se desgastem”, afirma Sola.
Ele destaca ainda a habilidade do empreendedor brasileiro nesse cenário: “Existe uma capacidade muito intuitiva de entender a lógica dos algoritmos e produzir conteúdos alinhados ao que tem maior potencial de recomendação e engajamento”.
O bolo‑pudim segue a mesma lógica de outros fenômenos recentes, como o “morango do amor” e a paleta mexicana. “A curiosidade gerada no ambiente digital se transforma rapidamente em vendas”, resume o especialista.
O caso do “morango do amor”, que viralizou massivamente no Brasil em julho de 2025, ilustra esse efeito. As buscas pelo doce cresceram 1.333% em apenas uma semana no Google, atingindo pico nacional em 24 de julho daquele ano, enquanto os pedidos no iFood aumentaram mais de 2.300% no mesmo período.
O crescimento foi tão intenso que chegou a impactar a cadeia de suprimentos, elevando o preço do morango em algumas regiões de São Paulo. A expectativa do setor é que o bolo‑pudim siga trajetória semelhante, impulsionado pela mesma dinâmica de viralização e compartilhamento.
Fotos mostram confeiteira que criou a torta pudim, Maria Tereza dos Santos, segurando bandeja com o doce que causou euforia na Feira Hippie de BH
Divulgação
Para Karine Karam, professora de comportamento do consumidor da ESPM e sócia da consultoria Markka Pesquisas, o sucesso da sobremesa está na combinação entre familiaridade e novidade.
Sobremesas que unem dois clássicos fazem muito sucesso porque ativam, ao mesmo tempo, conforto e curiosidade. O consumidor conhece o bolo e o pudim, mas quando esses dois universos se encontram, surge uma experiência nova sem romper com o que já é familiar.
Ela ressalta o forte componente emocional envolvido. “Tanto o bolo quanto o pudim fazem parte da memória afetiva do brasileiro. Estão associados à infância, à casa da avó, a encontros familiares. Quando aparecem juntos, há uma potencialização dessa nostalgia”, diz.
Em um cenário de excesso de estímulos e ansiedade cotidiana, segundo a pesquisadora, doces indulgentes acabam funcionando como uma forma de conforto emocional. O apelo visual também é decisivo para a viralização.
“O bolo‑pudim é extremamente ‘instagramável’: as camadas bem definidas, a calda escorrendo, o contraste de texturas e o momento do corte geram forte estímulo visual. Hoje, muitos alimentos são consumidos primeiro pelos olhos e pela câmera do celular”, observa.
Na avaliação de Karine Karam, o doce vai além de uma moda passageira. “O bolo‑pudim faz parte de uma tendência maior da confeitaria contemporânea, que valoriza produtos híbridos, exagerados e altamente sensoriais. O alimento deixa de ser apenas comida e vira experiência, entretenimento e conteúdo”, conclui.
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