Apesar da relação estremecida entre Brasil e Argentina após as duras falas de Javier Milei durante a convenção do PL, a diplomacia brasileira tem adotado cautela no discurso e não pretende, ao menos por ora, deixar o país vizinho sem representação diplomática.
O governo Lula convocou o embaixador do Brasil na Argentina, que se reuniu com o chanceler Mauro Vieira, nesta segunda-feira (27). Na avaliação de integrantes do governo, a convocação já foi um gesto forte o suficiente para dar recados ao país vizinho.
Diplomatas ouvidos sob reserva, no entanto, não descartam novas medidas frente às falas de Milei, que atacou o presidente Lula (PT) e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes. Por enquanto, adotam cautela.
O governo brasileiro só retirou as representações diplomáticas da Venezuela, em meio ao regime de Nicolás Maduro, e de Israel, após Lula ser considerado “persona non grata” pelo governo de Benjamin Netanyahu.
A avaliação feita pelo governo Lula é que o presidente argentino repete o mesmo “modus operandi” que fez com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. Em 2024, Milei chamou a esposa do espanhol de corrupta e disse que Sánchez era “motivo de chacota da Europa”.
Mesmo assim, afirmam que não é possível naturalizar ataques como os feitos no último sábado (25) e, por isso, afirmam que a relação está ainda mais estremecida.
