Um dia após rasgar elogios ao governo argentino em um evento em Buenos Aires, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se encontrou na manhã desta segunda-feira (29) com o presidente do país, Javier Milei, na residência oficial do mandatário, a Quinta de Olivos.
O compromisso não fazia parte da agenda oficial do argentino, mas era especulado nos últimos dias, e é visto como um aceno do ultraliberal ao senador, que deve enfrentar o presidente Lula (PT) nas urnas em outubro.
Depois do encontro, Milei repostou foto dizendo que a “onda azul”, movimento em referência às vitórias de candidatos de direita na América do Sul, chegará ao Brasil com Flávio.
Segundo assessores de Flávio, após Milei dizer ter certeza da chegada da “onda azul” ao país, o pré-candidato do PL à Presidência reforçou a importância desse movimento, impondo uma derrota ampla aos governos de esquerda.
Milei deve discursar na noite desta segunda-feira em uma conferência que reúne representantes da Fundação Aliados de Israel, além de legisladores, aliados políticos, embaixadores e líderes religiosos.
O presidente argentino deve falar na conferência por volta das 20h, onde se encontraria com Flávio Bolsonaro mais uma vez. Em seguida, o mandatário embarca para o Paraguai, para participar da cúpula do Mercosul.
Um dos principais eixos da conferência é a expansão dos Acordos de Isaac, uma iniciativa que continua ganhando força com a incorporação de novos países graças à liderança e influência de aliados do governo israelense na América Latina.
Em discurso no evento, na noite anterior, Flávio disse que os brasileiros sentem “inveja” de seus vizinhos na América Latina, que nas últimas eleições têm escolhido representantes da direita.
O ultradireitista Milei é um aliado da família Bolsonaro e crítico do presidente Lula. Em julho de 2024, Milei deixou de comparecer a uma cúpula do Mercosul no Paraguai para participar, ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de uma conferência com conservadores em Balneário Camboriú.
Como mostrou a Folha, desde o início do ano, Flávio deixou de votar em 43% das deliberações nominais do Senado.
