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Agricultores europeus protestam após aval da UE para acordo com Mercosul
Agricultores da França, Polônia e Bélgica realizam protestos nesta sexta-feira (9) após a União Europeia aprovar o acordo comercial com o Mercosul.
Os três países votaram contra o acordo nesta sexta, afirma a Reuters, mas não conseguiram impedir a maioria necessária para aprová-lo. A aprovação ainda não foi formalizada, mas o sinal verde do bloco abriu caminho para a assinatura do tratado. Veja os próximos passos.
Em Paris, vários tratores se posicionaram na entrada da cidade. Os protestos também ocorreram em cidades como Bordeaux e Le Mans, segundo a agência AFP.
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Agricultores franceses bloqueiam estrada em Bordeaux em protesto contra acordo entre União Europeia e Mercosul
Christophe ARCHAMBAULT / AFP
Agricultores utilizam trator para bloquear rodovia na França em protesto contra acordo entre União Europeia e Mercosul
GAIZKA IROZ / AFP
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Na Polônia, cerca de mil agricultores iniciaram uma marcha pelo centro de Varsóvia pouco depois da aprovação do acordo.
“Isso vai matar a agricultura na Polônia”, disse Janusz Sampolski à AFP. “Vamos depender das cadeias de abastecimento de outros países”, afirmou.
Os manifestantes se reuniram em frente ao Palácio da Cultura, na capital polonesa, antes de marchar em direção ao Parlamento, com ruas bloqueadas e a polícia escoltando os protestos nas proximidades de prédios do governo, segundo a Reuters.
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No protesto, os produtores também disseram temer queda na qualidade dos alimentos e danos à agricultura local.
“Eles vão nos envenenar. A mim, a você, aos meus filhos, aos meus netos”, afirmou à Reuters Marek, agricultor de 65 anos, dizendo que há diferenças nos padrões de uso de agrotóxicos entre a Polônia e os países do Mercosul.
Agricultores da Polônia protestam contra acordo entre União Europeia e Mercosul em 9 de janeiro de 2026
REUTERS/Aleksandra Szmigiel
Agricultores da Polônia protestam contra acordo entre União Europeia e Mercosul em 9 de janeiro de 2026
REUTERS/Aleksandra Szmigiel
Segundo a agência Reuters, produtores da Bélgica também realizaram protestos em estradas do país.
A manifestação incluiu fogueiras e a colocação de barris na estrada, causando grande impacto no tráfego. Os participantes também despejaram pneus velhos na pista e usaram tonéis com fogo como parte do bloqueio.
Houve protestos também na Itália, que foi decisiva para que o acordo fosse finalmente aprovado. Contrária ao pacto até dezembro, o país passou a apoiar o tratado depois que a UE aprovou novos benefícios aos agricultores europeus.
Em Milão, os manifestantes levaram tratores às ruas e chegaram a despejar leite no chão para mostrar sua desaprovação ao acordo.
Agricultores da Itália despejam leite no chão durante protesto em Milão contra acordo entre União Europeia e Mercosul
Marco BERTORELLO / AFP
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Agricultores despejaram esterco em frente à casa de Macron em protesto em dezembro
Semanas de protestos
Os protestos desta sexta dão continuidade a uma série de manifestações dos produtores nas últimas semanas. Na quinta (8), ruas de Paris foram bloqueadas em um ato contra o acordo.
Em 19 de dezembro, dezenas de agricultores franceses despejaram esterco e outros resíduos em frente à casa de praia do presidente Emmanuel Macron durante um ato que incluiu a oposição ao pacto.
Um dia antes, produtores europeus protestaram em larga escala em Bruxelas, na Bélgica, queimando uma pilha de pneus. Alguns entraram em confronto com a polícia.
Agricultores franceses ateiam fogo em protesto na cidade de Le Mans, em 9 de janeiro de 2026, em protesto que inclui oposição ao acordo entre UE e Mercosul
JEAN-FRANCOIS MONIER / AFP
Oposição antiga ao acordo
Os agricultores europeus são historicamente contrários ao tratado porque temem o impacto da chegada, em larga escala, de alimentos como carne, arroz, mel e soja da América do Sul.
Segundo eles, os produtos do Mercosul seguem regras de produção menos rígidas e, consequentemente, são mais competitivos.
A França, maior produtora de carne bovina da União Europeia, segue como a principal voz contrária ao acordo.
Antes da aprovação, o presidente Emmanuel Macron afirmou que o tratado é “de outra época”, negociado com base em um mandato de 1999 e com ganhos econômicos limitados.
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