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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 14 de janeiro de 2026
REUTERS/Evelyn Hockstein
O presidente Donald Trump afirmou nesta terça-feira (20) que não sabe como a Suprema Corte dos Estados Unidos vai decidir sobre a legalidade de suas tarifas globais.
O republicano alertou, no entanto, que Washington pode ter que devolver centenas de bilhões de dólares em tarifas caso perca a ação. O tema está em discussão na Suprema Corte, e uma decisão pode ser anunciada nos próximos dias.
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“Não sei o que a Suprema Corte vai fazer”, disse Trump, acrescentando que acredita que as tarifas foram impostas legalmente e que seria difícil devolver os valores já arrecadados “sem prejudicar muita gente”.
A declaração foi feita durante coletiva de imprensa na Casa Branca, quando Trump fez um balanço de seu governo. Ele completa, nesta terça-feira, um ano desde seu retorno à Presidência dos EUA.
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Em sua fala, o republicano também criticou sua equipe de comunicação, afirmando que seus feitos na economia não estão “chegando ao público” como ele esperava. Ele citou a inflação como um dos pontos.
“Os números que herdamos estavam muito altos. Agora reduzimos quase todos significativamente”, afirmou, embora a inflação tenha aumentado durante seu segundo mandato.
“Talvez eu tenha uma equipe de relações públicas ruim, mas não estamos conseguindo transmitir a mensagem”, acrescentou.
Tarifaço na Justiça
A Suprema Corte dos EUA pode anunciar nos próximos dias sua decisão sobre a legalidade do amplo aumento de tarifas imposto por Donald Trump à importação de produtos de diversos países, entre eles o Brasil.
A análise das tarifas de Trump envolve um recurso do Departamento de Justiça contra uma decisão de instância inferior, que concluiu que o republicano extrapolou sua autoridade ao impor a maior parte das taxas globais com base em uma lei federal destinada a situações de emergência. (leia mais abaixo)
Na prática, a esperada decisão sobre o tarifaço deve definir os limites do poder do republicano para agir sem o aval do Congresso americano — e pode afetar medidas aplicadas contra o Brasil. O processo judicial se arrasta desde o meio de 2025.
O caminho da briga judicial
A Suprema Corte dos EUA decidiu em setembro passado analisar a legalidade do tarifaço imposto por Donald Trump, após o governo recorrer da decisão de um tribunal de apelações, que concluiu que a maioria das tarifas não tem respaldo legal.
As ações contra as taxas foram apresentadas por empresas impactadas pelo tarifaço e por 12 estados americanos, a maioria administrada por democratas.
Além dos limites do poder de decisão de Trump, estão em jogo trilhões de dólares em tarifas alfandegárias ao longo da próxima década. O presidente americano já defendeu que as cobranças são um “remédio” necessário para a economia americana.
Em 5 de novembro, durante as sustentações orais do caso, os juízes da Suprema Corte levantaram dúvidas sobre a legalidade das tarifas impostas por Trump. O debate durou mais de 2h30.
O principal ponto das discussões foi avaliar se o presidente havia ultrapassado a competência do Congresso americano ao impor tarifas com base em uma lei de 1977, originalmente prevista para ser aplicada em situações de emergência nacional.
Segundo a agência Reuters, alguns juízes conservadores afirmaram que a Corte estava debatendo o poder “inerente” dos presidentes ao lidar com outros países — na prática, isso indica uma possível divisão sobre o resultado do caso. O tribunal possui maioria conservadora de 6 a 3.