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18 minutos agoon
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Como ficará o setor petrolífero na Venezuela?
A estatal petrolífera venezuelana PDVSA afirmou nesta quarta-feira (7) que está avançando nas negociações com os Estados Unidos para a venda de petróleo.
Segundo a empresa, as partes vêm discutindo termos semelhantes aos que estão em vigor com parceiros estrangeiros, como a petroleira americana Chevron.
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“O processo (…) baseia-se estritamente em transações comerciais, sob termos que são legais, transparentes e benéficos para ambas as partes”, disse a empresa em comunicado.
A agência Reuters reportou nesta quarta que um membro do conselho da PDVSA confirmou que apenas a Chevron está exportando atualmente o petróleo bruto venezuelano. “Não devemos nada aos EUA”, afirmou ele.
“Se os EUA quiserem o fornecimento de petróleo da Venezuela, terão de pagar pelas cargas a preços internacionais”, acrescentou a fonte.
Vendas pelos EUA
Os Estados Unidos já começaram a comercializar petróleo venezuelano, informou o Departamento de Energia americano nesta quarta-feira (7).
De acordo com o órgão, toda a receita da venda será inicialmente depositada em contas controladas pelos EUA em bancos reconhecidos globalmente.
“Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados” , informou o departamento.
O órgão declarou ainda que os recursos serão depositados em contras controladas pelos EUA para “garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos”, que serão feitos “em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA”.
Na terça-feira (6), o presidente Donald Trump, afirmou que os EUA refinariam e venderiam até 50 milhões de barris de petróleo bruto retidos na Venezuela devido ao bloqueio americano.
As vendas, de acordo com o Departamento de Energia, começam “imediatamente”, e continuarão por tempo indeterminado.
Plataforma de perfuração em um poço de petróleo da PDVSA em Orinoco, perto de Cabrutica, Anzoátegui
Reuters
Petróleo a preço de mercado
A declaração ocorre apenas alguns dias depois de uma ação militar americana na Venezuela que resultou no sequestro do ditador Nicolás Maduro. Ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos morreram na operação.
Trump disse que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado. Ele afirmou ainda que será responsável por controlar o dinheiro obtido para garantir que os recursos sejam usados “em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”.
“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, afirmou.
O total de petróleo que será entregue aos EUA corresponde a cerca de dois meses da produção atual venezuelana.
Na terça-feira (6), a agência Reuters revelou que autoridades da Venezuela e dos EUA já estavam discutindo a exportação de petróleo bruto para os americanos.
Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques de armazenamento, sem conseguir exportá-los, devido a um bloqueio imposto por Trump. O embargo fez parte da pressão americana que resultou na queda de Maduro.
Nesta quarta-feira, os EUA apreenderam um petroleiro vazio, de bandeira russa e com ligações à Venezuela, no Oceano Atlântico. A apreensão é parte da estratégia de Trump para controlar o fluxo de petróleo nas Américas e forçar o governo socialista da Venezuela a tornar-se um aliado.
Por que o petróleo da Venezuela é tão importante para os EUA
Trump quer até 50 milhões de barris de petróleo da Venezuela
Interesse dos EUA
No sábado, logo após a prisão de Maduro, Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero da Venezuela para a atuação de grandes companhias dos EUA.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, declarou.
As refinarias americanas na Costa do Golfo conseguem processar os tipos pesados de petróleo da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, as companhias importavam cerca de 500 mil barris por dia.
Apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz pouco atualmente — cerca de 1 milhão de barris por dia — devido às sanções e a problemas de infraestrutura.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta quarta-feira que o governo americano pretende fazer uma reunião com executivos do setor petrolífero ainda nesta semana para tratar sobre o tema.