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Os norte-coreanos enviados à China para trabalho ‘escravo’ em fábricas | Mundo

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Casos de protestos de norte-coreanos são praticamente inexistentes, já que o estado exerce controle quase total sobre os cidadãos, e a dissidência pública pode resultar em execução. Mas há relatos de que trabalhadores norte-coreanos na China teriam se revoltado, mês passado, ao descobrirem que seus salários estavam sendo desviados para bancar a produção de armas de Pyongyang.

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Corpo de Alexei Navalny foi entregue à mãe, diz porta-voz

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Navalny, o político de oposição mais famoso da Rússia, morreu repentinamente aos 47 anos em uma colônia penal do Ártico na semana passada. Foto de arquivo mostra Alexei Navalny durante protestos em 29 de fevereiro de 2020
Pavel Golovkin/AP
O corpo do líder da oposição russa Alexei Navalny, que morreu repentina e inesperadamente na prisão na semana passada, foi entregue à sua mãe, segundo informações da porta-voz Kira Yarmysh na plataforma X (antigo Twitter) neste sábado (24).
De acordo com a agência Reuters, a porta-voz disse não saber se as autoridades permitiriam que um funeral fosse realizado “do jeito que a família quer e do jeito que Alexei Navalny merece”.
Mais cedo, as agências internacionais publicaram que a viúva de Navalny, Yulia Navalnaya, afirmou que o governo da Rússia estava fazendo o corpo do marido de refém.
“Nove dias desde que o presidente Vladimir Putin matou meu marido… Mas aparentemente matar não foi suficiente, agora ele fez refém o seu corpo, humilhando sua mãe para forçá-la a aceitar um enterro secreto?”, disse em um vídeo.
LEIA MAIS:
Viúva e mãe pedem que Rússia ‘devolva’ corpo de Navalny e permita ‘enterro digno’
VÍDEO: Viúva de Navalny acusa Putin e diz que seguirá com luta do marido na Rússia
Navalny, o político de oposição mais famoso da Rússia, morreu repentinamente aos 47 anos em uma colônia penal do Ártico na semana passada. Assessores e família afirmaram que o governo russo o assassinou.
O Kremlin afirma não ter nada a ver com a morte de Navalny.
Quem foi Alexei Navalny, principal opositor de Putin que morreu na prisão

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Por que novo módulo que chegou à Lua pode ter caído de lado?

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Nesta semana, um módulo lunar de uma empresa privada pousou na Lua. O Odysseus chegou à órbita lunar na quarta-feira.
Intuitive Machines
O módulo de pouso lunar Odysseus provavelmente está caído de lado, com a sua parte superior apoiada em uma rocha.
A espaçonave dos EUA, que fez história na quinta-feira (22/2) ao se tornar o primeiro robô construído e operado de forma privada a completar um pouso lunar está em boas condições.
Seu proprietário, a empresa texana Intuitive Machines, diz que o Odysseus está carregado com bastante energia e está se comunicando com a Terra.
Os controladores estão tentando recuperar fotos tiradas pelo robô.
Steve Altemus, CEO e um dos fundadores da Intuitive Machines, disse que ainda não sabe exatamente o que aconteceu, mas os dados sugerem que o robô ficou com um de seus pés preso na superfície e virou porque ainda estava em movimento lateral no momento da aterrissagem.
Outra possibilidade é que o Odysseus tenha quebrado um de seus pés ao cair. Os sensores de medição inercial indicam que o veículo está em posição horizontal.
Qualquer que seja a razão para a posição inesperada da aterrissagem, as antenas de rádio ainda estão apontadas para a Terra e as células solares seguem carregando o sistema de baterias.
Felizmente, todos os instrumentos científicos para fazer observações na Lua estão voltados para cima, o que deverá permitir algum trabalho dos cientistas. A única carga útil no “lado errado” da sonda, apontando para a superfície lunar, é um projeto de arte estático.
“Esperamos obter fotos e fazer uma avaliação da estrutura e de todo o equipamento externo”, disse Altemus aos repórteres.
“Até agora, temos bastante capacidade operacional, embora estejamos caídos de lado. E isso é muito emocionante para nós, e estamos continuando a missão de operações de superfície como resultado disso.”
O Odysseus tirou esta foto ao se aproximar cerca de 10 km acima da superfície.
Intuitive Machines
O robô foi direcionado para um terreno cheio de crateras perto do polo sul da Lua, e a equipe da empresa acredita que ele chegou muito perto do local alvo — talvez a 2 km ou 3 km de distância.
Um satélite da agência espacial dos EUA chamado Lunar Reconnaissance Orbiter procurará o Odysseus neste fim de semana para confirmar seu paradeiro.
A missão da Intuitive Machines faz parte do programa Commercial Lunar Payload Services (CLPS) da Nasa, no qual a agência está pagando várias empresas privadas americanas por serviços de carga para a Lua — no caso do Odysseus com um pagamento de US$ 118 milhões.
Todas as empresas são responsáveis pelo financiamento, construção, lançamento e operação das suas naves.
Seis missões CLPS estão planejadas para este ano. A primeira, da empresa Astrobotic, com sede em Pittsburgh, terminou em fracasso. Seu módulo de pouso Peregrino teve problemas técnicos a caminho da Lua e desistiu de pousar. O robô foi trazido de volta para queimar na atmosfera da Terra.
Ilustração mostra como o Odysseys deveria pousar na Lua – mas acredita-se que ele está de lado.
Intuitive Machines
A Intuitive Machines tem mais duas missões em 2024. A próxima verá um robô perfurar a superfície. Outra empresa texana, a Firefly Aerospace, também deve lançar uma missão para a Lua em algum momento dos próximos meses.
A Nasa considera o projeto CLPS uma forma mais econômica de fazer pesquisa e ciência, ao mesmo tempo que semeia o que espera que se torne uma economia lunar próspera.
Joel Kearns, da diretoria de missões científicas da Nasa, descreveu o pouso do Odysseus como uma “realização gigantesca” e uma afirmação da política do CLPS.
Independentemente da sua funcionalidade atual, é improvável que o Odysseus funcione muito além do início de março, quando o local de pouso ficará sob escuridão.
“Assim que o Sol se pôr, as baterias tentarão manter o veículo aquecido e vivo, mas eventualmente ele cairá em um frio intenso e então os componentes eletrônicos que produzimos simplesmente não sobreviverão ao frio intenso da noite lunar. E então, na melhor das hipóteses, esperamos mais nove a dez dias (de operações)”, disse Tim Crain, outro fundador da empresa.
Steve Altemus, CEO da Intuitive Machines, descreve o que ele acha que aconteceu durante o pouso.
Intuitive Machines.

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Como rosas vermelhas viraram símbolo da globalização

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Atualmente, as estufas empregam diretamente 100 mil pessoas e geram 500 mil empregos indiretos relacionados às flores. Ao todo, 2 milhões de pessoas dependem das rosas para o seu sustento no Quênia.
As rosas vendidas em datas comemorativas podem ter sido produzidas em estufas do outro lado do mundo.
Getty Images
Uma rosa vermelha pode simbolizar muitas coisas.
No Dia dos Namorados no Brasil, ou no Dia de São Valentim no resto do mundo, a rosa vermelha se transforma, para muitos, em um sinal de amor, uma demonstração de ternura. Ela é a flor dos namorados por excelência.
Na Rússia, as mães também recebem rosas vermelhas no dia 8 de março, como reconhecimento pelo seu trabalho doméstico.
Mas, para os geógrafos, a rosa vermelha é também um sinal de globalização. Afinal, é provável que muitas das rosas presenteadas na Europa no dia 14 de fevereiro tenham vindo de estufas situadas nos trópicos ou até na linha do Equador, mais precisamente no Quênia, na Etiópia ou talvez no Equador, apesar do seu caule mais longo e do custo mais alto.
Nas estufas, os responsáveis pelo cultivo trabalham a todo vapor com seis meses de antecedência, para que suas roseiras (seis por metro quadrado, ou cerca de 60 mil por hectare) floresçam exatamente na semana anterior à data comemorativa – nem antes, nem depois.
Durante todo esse período, eles modulam a luz, a irrigação, o suprimento de CO2 e oxigênio e os níveis de umidade, para acelerar ou retardar a floração das roseiras.
Ao todo, 2 milhões de pessoas dependem das rosas para o seu sustento no Quênia.
Getty Images
Sabemos que a diferença entre duas florações varia conforme a iluminação, a nebulosidade, a temperatura, a umidade do ar, o suprimento de água, de fertilizantes etc.
Acrescente-se a tudo isso os possíveis ataques de insetos ou fungos, que são catastróficos no contexto da monocultura. Assim, podemos ter uma ideia do grau de incerteza e do estresse reinante nas estufas à medida que se aproxima o dia fatal.
Depois de sair desses centros de produção na zona tropical do planeta, sua flor irá passar por algumas horas de viagem nos compartimentos refrigerados de um avião de carga. Um Boeing 747-Cargo, por exemplo, pode transportar até 120 toneladas de rosas.
Ao chegar à Europa, ela irá transitar pela cooperativa Royal FloraHolland de Aalsmeer, perto do aeroporto Schiphol de Amsterdã, na Holanda.
Ali, no mesmo dia, ela será carregada em um dos caminhões frigoríficos que percorrem o continente europeu e entregue para o seu florista – que, prevendo o 14 de fevereiro, terá multiplicado seus pedidos por quatro ou cinco vezes, já antes do Natal.
E seus preços certamente terão sido multiplicados por dois ou três, considerando o aumento brutal da demanda. Afinal, é no Dia de São Valentim que o florista europeu recebe quase 15% do seu faturamento anual.
A demanda por flores é alta na Europa (na foto, estande de flores em Roma, na Itália).
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Fatores climáticos e políticos
Fazer as rosas viajarem milhares de quilômetros não é um fenômeno novo.
Até o final dos anos 1970, a Europa era autossuficiente em rosas cortadas. Mas os seus colegas norte-americanos começaram a instalar estufas perto de Quito, no Equador, alguns anos antes. Os holandeses começaram então a imitá-los, criando unidades de produção no Quênia.
Mas por que a produção de rosas cortadas foi globalizada?
Bem, vários fatores motivaram esse deslocamento em direção à África. Alguns desses fatores eram atraentes, enquanto outros são repulsivos.
Em primeiro lugar, os produtores desejavam sair da Europa, com seus custos de mão de obra e calefação, além das crescentes regulamentações fitossanitárias.
Com isso, os planaltos quenianos surgiram como destinos particularmente atraentes, devido a diversas vantagens climáticas.
Inicialmente, o ecossistema equatorial de altitude das áreas de produção quenianas (entre 1,6 mil e 2,3 mil metros) oferece temperaturas de 12 °C à noite a 30 °C durante o dia, ao longo de todo o ano. Estas temperaturas são ideais para o crescimento e a produtividade das roseiras, sem necessidade de aquecimento.
Além disso, essas regiões garantem a luminosidade necessária para dar às flores suas cores brilhantes e, aos talos, a rigidez necessária para a viagem, além do tamanho ideal para conquistar os mercados consumidores (entre 40 cm e 1 metro).
Outro ponto a considerar é o ecossistema geoeconômico pós-colonial do Quênia, que permitiu aproveitar ao máximo sua posição equatorial.
Como antiga colônia britânica, o Quênia contava com uma diáspora de população branca e indiana com experiência na gestão do trabalho na África e nas limitações do capitalismo internacional. E também havia uma mão de obra negra numerosa, barata, com boa formação e pouco exigente.
Além disso, o Quênia era o motor econômico da África oriental e já contava com instalações logísticas, particularmente o aeroporto da sua capital, Nairóbi, acostumado ao fluxo turístico. Com isso, um voo para a Europa levava apenas oito horas.
Por fim, o regime liberal, pragmático e estável do Quênia oferecia segurança e liberdade aos investidores.
Foi assim que empresários pioneiros lançaram um exemplo que foi seguido nas décadas de 1990, 2000 e 2010 por investidores quenianos de origem branca e indiana, bem como pelos políticos do Quênia.
O resultado foi que a quantidade de estufas aumentou e, pouco a pouco, formou-se um verdadeiro centro de cultivo de rosas no país africano. E sua produção atraiu toda uma série de empresas relacionadas.
Atualmente, as estufas empregam diretamente 100 mil pessoas e geram 500 mil empregos indiretos relacionados às flores. Ao todo, 2 milhões de pessoas dependem das rosas para o seu sustento.
A Colômbia também exporta flores, que são embaladas e enviadas por avião
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Do ponto de vista macroeconômico, as exportações de rosas contribuem de forma decisiva para a balança comercial do país. Elas representam US$ 700 milhões (cerca de R$ 3,48 bilhões). As rosas são superadas apenas pelo chá, com US$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 6,96 bilhões).
Nos anos 2000, depois de conquistar os planaltos quenianos, a rosa vermelha foi também introduzida na Etiópia, um país vizinho com características similares.
Ali, foram criados 50 mil postos de trabalho graças ao cultivo da rosa. Alguns deles eram procedentes do Quênia a pedido das autoridades etíopes, que são mais intervencionistas.
Mas, na Etiópia, a cadeia de valor não atingiu a mesma maturidade e gerou muito menos empregos indiretos, de forma que a área de produção etíope permanece na órbita do seu vizinho do sul, o Quênia.
O fato é que, se nos afastarmos um pouco, observaremos que o crescimento da cultura de rosas na África acompanhou o crescimento do consumo mundial e acabou com a produção europeia.
FloraHolland – a Wall Street das flores
Muitas das flores produzidas no Quênia e na Etiópia viajam para a Europa quando deixam as estufas africanas. Elas são embaladas em ramos e comercializadas de três formas:
Pelos mercados de leilão (um sistema de leilões eletrônicos projetados para garantir que os preços sejam fixados de forma rápida e transparente).
Por contrato, geralmente anual, entre um produtor e uma central de compras ou atacadista europeu.
Por fim, como parte de uma venda especial, pontual, entre um produtor e um comprador.
Seja qual for a forma de venda, de Nairóbi ou Adis Abeba (na Etiópia), a maior parte das rosas passa por Aalsmeer, nas proximidades de Amsterdã. Ali, fica a maior plataforma logística de plantas do mundo: a cooperativa, muito lucrativa, chamada FloraHolland.
Historicamente, a FloraHolland se impôs como a Wall Street das flores, onde o custo das rosas é determinado.
Nos últimos anos, o preço das rosas subiu mais do que a inflação, impulsionado pelo crescimento ininterrupto da demanda da classe média dos países emergentes e pelo aumento dos preços dos insumos.
Atualmente, não mais de 40% das rosas cortadas leiloadas. Mas, mesmo com a queda da proporção, os mercados de leilão continuam desempenhando um papel fundamental na fixação dos preços do produto.
Este relativo declínio dos leilões é explicado pelo crescimento dos operadores europeus, especialmente as redes de supermercado britânicas e alemãs. Elas têm condições de negociar com os produtores volumes de compra consideráveis e regulares ao longo de todo o ano.
Esses grandes volumes regulares passam a ser objeto de contratos que estabelecem volumes e preços com base anual. Os contratos liberam os vendedores e os compradores dos leilões, que são mais aleatórios.
Mas a FloraHolland, mesmo com essas mudanças, permanece sendo o eixo hegemônico por onde passa a maior parte das rosas cortadas destinadas ao mercado europeu, o que se deve à sua fluidez, ao seu desempenho logístico, seu ativo lobby e suas estratégias de promoção.
A cooperativa remunera seus associados e paga seus funcionários com as comissões recebidas pelos volumes vendidos em leilão e também pelas vendas especiais ou por contrato que passem pelas suas instalações.
Globalização cada vez mais questionada
Mas as rosas que atravessam o mundo não estão livres de críticas, como vêm mostrando regularmente os meios de comunicação desde o início dos anos 2000.
Entre os anos 2000 e 2005, a imprensa questionou as condições de trabalho e a remuneração dos funcionários.
Depois, entre 2005 e 2010, foi a vez do consumo excessivo de água necessário para cultivar as rosas (3 a 9 litros de água por dia, por metro quadrado), além da poluição da água causada pelos resíduos da produção.
Entre 2010 e 2015, a pegada de carbono das flores, devido à necessidade de transporte aéreo, foi objeto de questionamento.
E, mais recentemente, entre os anos 2015 e 2020, surgiram controvérsias sobre a quantidade de produtos químicos usados na produção das flores e as estratégias de evasão fiscal dos empresários, que centralizam seus lucros na Holanda. Lá, a alíquota de imposto é de 12,5%, contra 35% no Quênia.
O comércio internacional pode ser feito através de leilões rápidos de lotes de flores.
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Cientes dos riscos que estavam correndo com essa ameaça midiática, os empresários responderam às críticas, até certo ponto, aumentando os salários e oferecendo melhores condições de trabalho aos seus funcionários.
Eles também diminuíram a pegada hídrica com a reciclagem e o “plantio” de água e reduziram a pulverização de pesticidas, com tratamentos seletivos e o controle biológico integrado.
Em outra mudança sem precedentes, surgiu, muito lentamente, a ideia de “ressazonalizar” o consumo de flores cortadas e relocar a produção de flores na França. Trata-se de uma resposta à globalização da produção de flores e às críticas sobre os custos da produção tropical para o meio ambiente.
Nos países anglo-saxões, o movimento “slow flower” (“flor lenta”, em português) promove esta mesma ideia. Ali, assistimos ao tímido surgimento de micro-operações em torno das grandes cidades, muitas vezes em reconversão ou em meio período.
Em 2017, uma jornalista e uma florista do norte da França criaram o Coletivo da Flor Francesa – uma associação de cerca de 600 floricultores ou floristas ecorresponsáveis.
O setor de produção de flores não enfrenta problemas de contratação no Quênia.
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Seu objetivo é promover a produção e a comercialização de flores produzidas na França, além de praticar a agricultura de forma ecorresponsável.
Espinho no pé da sociedade globalizada?
A rosa vermelha também se tornou um produto cada vez mais ambíguo. Ao mesmo tempo em que aumentam as críticas, sua produção não para de crescer, impulsionada pelo aumento da demanda da classe média dos países emergentes.
Os profissionais falam em um crescimento de cerca de 5 a 6% por ano na última década.
O setor chegou até a enfrentar relativamente bem a pandemia de covid-19.
As primeiras semanas de confinamento interromperam os voos e as compras, forçando os floricultores a descartar sua produção. Mas, depois desse período, os negócios do setor se deram relativamente bem durante a pandemia, pela simples razão de que as pessoas continuaram comprando flores – desta vez, online – e até com mais regularidade.
E este hábito continuou depois da covid-19! Na verdade, o consumo estético e trivial aumentou durante aquele período, para grande surpresa e imensa sorte do envolvidos no setor.
Como todo objeto globalizado, a rosa cristaliza as tensões entre a evidente insustentabilidade ambiental de um cultivo fora de estação, dos seus processos de produção e, sobretudo, sua comercialização e, por outro lado, uma realidade econômica evidente.
A rosa fornece um meio de vida para vários milhões de pessoas e contribui para o desenvolvimento de diversas regiões do planeta – além do enriquecimento de alguns poucos.
Por tudo isso, esta flor nos convida a fazer algumas perguntas bastante delicadas:
Até que ponto o inegável desenvolvimento promovido no Quênia justifica a manutenção do nosso consumo insustentável – que é a força motriz do setor – nestes tempos de mudanças climáticas?
Devemos ceder à chantagem trabalhista imposta por este setor, que sobrevive de um consumo ostentoso e supérfluo?
Além das rosas, na verdade, todo o conjunto dos produtos de consumo tropicais poderia, ou até deveria, ser questionado desta forma.
Afinal, se o forte senso simbólico que leva à compra de uma rosa pode propiciar questionamentos sobre o seu modo de produção, as mesmas considerações ambientais e econômicas podem ser estendidas para muitos outros produtos, como o café, chocolate, chá, abacate, mangas, bananas…
Não há críticas no Quênia
No Quênia, até o momento, apesar das polêmicas na imprensa sobre os modos de produção, não parece haver nenhuma mudança de paradigma no horizonte.
O setor de produção de flores não enfrenta problemas de contratação e seus trabalhadores dizem estar felizes por aproveitar os lucros do cultivo das rosas. O setor garante um salário fixo mais alto que a renda média do país e a possibilidade de abrir uma conta bancária.
Mas eles não têm dúvidas sobre a assimetria dos benefícios e a repartição desigual dos valores.
O respeito visceral pela figura do empresário, a adesão universal ao ethos do capitalismo e, de forma mais prosaica, as vantagens materiais e simbólicas de trabalhar para uma empresa próspera e reconhecida contribuem para fazer da cultura das rosas um setor que raramente é questionado no país.
O próprio fato de que as empresas abertas nos anos 1990 precisam cuidar dos problemas de saúde dos seus funcionários com mais de 50 anos demonstra a baixa rotatividade de uma mão de obra invejada pelas pessoas e fiel ao seu emprego.
Por outro lado, em um país que valoriza a figura do político, o fato de que certas empresas são de propriedade de homens e mulheres da política contribui, sem dúvida, para a boa imagem das estufas e das flores.
As flores são transportadas internacionalmente por avião de carga.
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Do lado europeu, conscientes das preocupações dos consumidores, atacadistas e varejistas começam a responder com transparência e rastreabilidade.
Este é um enfoque interessante, que consiste em assinalar a origem geográfica de cada uma das variedades vendidas e revelar explicitamente o valor político do consumo.
Que sentido os consumidores dão às suas compras? Ecológico ou de desenvolvimento? Local ou tropical?
Essa reinserção de sentido no centro do consumo colabora, sem dúvida, para a segmentação do mercado.
O fato é que, como indicador convencional do amor e fascinante objeto de estudo da globalização para o geógrafo, a rosa resume as tensões e as contradições do capitalismo atual.
Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado sob licença Creative Commons.
De onde vem a rosa

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Macron é recebido com protesto de produtores em feira agrícola na França | Mundo

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O presidente francês, Emmanuel Macron, foi recebido com protesto em uma feira agrícola em Paris, neste sábado (24). Produtores pressionam o governo a ajudá-los, em meio à insatisfação por conta dos custos, da burocracia e das regulamentações ambientais.

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As novas sanções contra a Rússia — e como essa estratégia está afetando a economia do país

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EUA, União Europeia e Reino Unido anunciaram novas medidas contra o país — mas qual tem sido a eficácia das sanções? Rússia – entenda o impacto das sanções contra o país.
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Dois anos após a invasão da Ucrânia, os Estados Unidos, a União Europeia e o Reino Unido anunciaram novas sanções à Rússia.
As medidas também marcaram uma semana desde a morte do líder da oposição Alexei Navalny, que estava em uma prisão russa.
O que são sanções?
Sanções são penas impostas por um país a outro, para impedi-lo de agir de forma agressiva ou de violar o direito internacional.
Sanções são algumas das medidas mais duras que um país pode adotar na tentativa de evitar uma guerra.
Quais são as mais recentes sanções contra a Rússia?
O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou 500 novas sanções contra a Rússia. Segundo o americano, as medidas têm como alvo a máquina de guerra russa. Quase cem empresas ou indivíduos sofrerão restrições às suas exportações.
Biden disse que as medidas também têm como alvo pessoas ligadas à prisão onde Navalny morreu.
O Reino Unido congelou os bens de seis chefes na prisão e os proibiu de viajar para o Reino Unido.
Navalny morreu em uma prisão russa neste mês.
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O Reino Unido também impôs novas proibições às exportações russas de metais, diamantes e energia.
A União Europeia anunciou sanções a 200 organizações e pessoas que, segundo ela, ajudam a Rússia a adquirir armas ou a retirar crianças ucranianas das suas casas.
As sanções incluem empresas e indivíduos envolvidos no envio de armamentos norte-coreanos para a Rússia.
Quais outras sanções foram impostas à Rússia?
Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022, os EUA, o Reino Unido e a EU — juntamente com países como a Austrália, o Canadá e o Japão — impuseram mais de 16,5 mil sanções à Rússia.
O principal alvo das medidas tem sido a moeda da Rússia.
As reservas em moeda estrangeira no valor de US$ 350 mil milhões — aproximadamente metade das suas reservas totais — foram congeladas.
Cerca de 70% dos ativos dos bancos russos também foram congelados, afirma a UE. E alguns foram excluídos do Swift, um serviço de mensagens de alta velocidade entre instituições financeiras.
Os países também:
proibiram exportações de tecnologia que a Rússia poderia usar para fabricar armas
proibiram as importações de ouro e diamantes da Rússia
proibiram voos que vêm da Rússia
sancionaram oligarcas – os ricos empresários ligados ao Kremlin – e apreenderam os seus iates
Roman Abramovich, ex-dono do Chelsea, é um dos oligarcas que recebeu sanções.
Reuters
A indústria do petróleo da Rússia também tem sido outro alvo importante.
Os EUA e o Reino Unido proibiram a comercialização de petróleo e gás natural russos. A UE proibiu as importações de petróleo bruto por via marítima.
O G7 — entidade que reúne as sete maiores economias do mundo desenvolvido — impôs um preço máximo de US$ 60 por barril ao petróleo bruto russo, para tentar reduzir os lucros das empresas do país.
Quais empresas ocidentais deixaram a Rússia?
Centenas de grandes empresas, incluindo McDonald’s, Coca-Cola, Starbucks e Heineken, pararam de vender e fabricar produtos na Rússia.
No entanto, alguns ainda fazem negócios na Rússia.
A PepsiCo, por exemplo, foi acusada de continuar vendendo produtos alimentares na Rússia. E a BBC descobriu que a empresa americana de cosméticos Avon fabricava produtos em uma fábrica perto de Moscou.
Como a Rússia combate as sanções?
O presidente Vladimir Putin afirmou que as sanções europeias não estão causando danos à Rússia. Em recente entrevista, ele disse: “Nossa economia cresceu e a deles diminuiu”.
A Rússia conseguiu vender petróleo no estrangeiro por um valor superior ao preço máximo do G7, segundo o Atlantic Council, um centro de pesquisas dos EUA. Alguns especialistas dizem que uma “frota fantasma” de cerca de mil navios-tanque está sendo usada para transportar o produto.
A Agência Internacional de Energia afirma que a Rússia ainda exporta 8,3 milhões de barris de petróleo por dia — tendo aumentado os fornecimentos à Índia e à China.
A Rússia também é capaz de importar muitos produtos ocidentais sancionados, que passam primeiro por países como Geórgia, Belarus e Cazaquistão, segundo pesquisadores do King’s College London.
A China tem sido um fornecedor vital de produtos de alta tecnologia alternativos aos produzidos no Ocidente, afirma Maria Snegovaya, do centro de pesquisas americano Center for Strategic and International Studies.
“A China vende chips e outros componentes necessários para manter a produção militar [russa]”, diz ela. “A Rússia não conseguiria fazer isso sem a ajuda da China.”
Qual o impacto que as sanções tiveram na economia da Rússia?
Em 2022, primeiro ano da guerra, a economia da Rússia encolheu 2,1%, segundo o Fundo Monetário Internacional.
No entanto, estima que a economia da Rússia tenha crescido 2,2% em 2023 e prevê um crescimento de 1,1% em 2024.
No entanto, o Tesouro dos EUA afirma que as sanções estão afetando a Rússia, tendo cortado 5% do crescimento econômico que o país poderia ter tido nos últimos dois anos.
Mas Snegovaya sugere: “As sanções não tornaram esta guerra suficientemente cara para a Rússia, e isso significa que a Rússia pode continuar em guerra durante algum tempo”.
O Tesouro dos EUA afirma que a guerra na Ucrânia e as sanções levaram mais de um milhão de pessoas – muitas delas jovens e com alto nível de escolaridade – a deixar a Rússia.
O governo da Rússia também tem cortado gastos com saúde para financiar a guerra na Ucrânia, segundo o Ministério da Defesa do Reino Unido.
“Isso atinge principalmente as pessoas nas áreas rurais”, diz James Nixey, do centro de pesquisas de relações exteriores Chatham House. “O governo faz cortes ali, e não nas grandes cidades, onde poderiam causar revoltas.”
Quem foi Alexei Navalny, principal opositor de Putin que morreu na prisão

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Autoridades encontram 10º corpo em incêndio que devorou edifício em Valência, na Espanha

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As buscas prosseguem, mas os bombeiros acreditam que não há mais desaparecidos. O prédio de 14 andares pegou fogo na tarde de quinta-feira (22) e as chamas só foram controladas na manhã de sexta. Bombeiros trabalham no incêndio em Valencia
REUTERS/Eva Manez
As autoridades espanholas anunciaram neste sábado (24) que encontraram o corpo da 10ª vítima fatal do incêndio que destruiu, na quinta-feira (22), um edifício da cidade de Valência, na Espanha.
As buscas prosseguem, mas os bombeiros acreditam que não há mais desaparecidos.
“A inspeção da manhã da brigada científica da Polícia Nacional teve como resultado a localização de um novo corpo. Após a identificação, o número total de corpos encontrados dentro do edifício sobe para 10”, informa a nota da Delegação do Governo de Valência nas suas redes sociais.
Logo após o incêndio que destruiu por completo o edifício do bairro de Campanar, na cidade do leste da Espanha, as autoridades anunciaram 14 desaparecidos.
A delegada do Governo em Valência, Pilar Bernabé, afirmou que as buscas prosseguirão, mas que com a localização do corpo neste sábado devem começar as tarefas “complexas” de identificação.
Os trabalhos de identificação “serão trabalhos complexos em que teremos que identificar com exames de DNA, e queremos que aconteçam com total garantia”, explicou.
Ela disse ainda que não é possível estabelecer um prazo para a tarefa.
Incêndio em prédio residencial em Valência, na Espanha

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