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Eleições 2022

Na TV, Lula aborda economia, e Bolsonaro promete investir em policiamento

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Os candidatos à presidência da república, Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro. Arte/CNN - Foto Lula: Ricardo Stuckert/ Foto Bolsonaro: Rodrigo Paiva/Getty Images

Horário eleitoral desta terça-feira (11) foi marcado por trocas de acusações sobre temas como aborto e prisões

 Por Daniel Reis

A 19 dias do segundo turno, o horário eleitoral dos candidatos à Presidência na televisão, nesta terça-feira (11), foi marcado por acusações entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL). Ao falarem sobre propostas, o petista usou seu tempo para abordar a economia, e o atual mandatário, a segurança pública.

A campanha de Lula começou afirmando que Bolsonaro acusa o petista para “cobrir algo que ele mesmo faz” e citou entrevistas do presidente sobre o aborto e medidas do governo federal para facilitar o acesso às armas. A propaganda também exibiu reportagens sobre suspeitas de compras de imóveis com dinheiro vivo pela família Bolsonaro.

A peça destacou o crescimento econômico durante os governos Lula. A propaganda apresentou a proposta de renegociação de dívidas do PT, intitulada “Desenrola Brasil”, destacou a geração de emprego e afirmou que o salário mínimo será reajustado acima da inflação.

“Nós vamos voltar a aumentar o salário mínimo, porque o salário mínimo é a base para 30 milhões de pessoas, e é importante que ele aumente acima da inflação sempre, para que o povo não perca o seu poder aquisitivo e não perca o seu poder de consumo”, justificou Lula.

Durante mais da metade do seu programa eleitoral, Bolsonaro utilizou notícias que afirmam que Lula foi o candidato com a maior votação em presídios brasileiros para afirmar que “os criminosos escolheram Lula para presidente”.

Ele exibiu uma fala em que o ex-presidente afirma não poder mais “ver jovem de 14 e 15 anos assaltando e sendo violentado, assassinado pela polícia, às vezes inocente ou às vezes porque roubou um celular”.

Também apresentou um trecho de um discurso no qual Lula disse que procurou o presidente Fernando Henrique Cardoso para pedir que ele libertasse os sequestradores do empresário Abílio Diniz. Na época, eles estavam presos havia 10 anos e tinham começado uma greve de fome.

A propaganda citou ainda a eleição de um Congresso com maioria governista. “Vocês foram às urnas e confiaram em nosso trabalho. Um voto de confiança na economia brasileira, na criação de emprego, nas casas populares, no Auxílio Brasil de R$ 600 reais, no preço da gasolina lá embaixo”, afirmou o presidente.

Segundo o programa, se reeleito, o chefe do Executivo vai reforçar o policiamento nas ruas e equipar as forças policiais. “Agora que a maioria do Congresso está ao seu lado, nosso presidente finalmente vai endurecer as leis para acabar com a impunidade”, disse a propaganda. Via CNN

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Eleições 2022

Sergio Moro, anuncia apoio a Bolsonaro no segundo turno

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Foto: Reprodução/Dnews Jornal

Senador eleito pelo Paraná fez críticas à candidatura do ex-presidente em entrevista à CNN nesta quinta-feira (27)

O senador eleito pelo Paraná e ex-ministro da Justiça Sergio Moro (União Brasil-PR) afirmou, em entrevista à CNN nesta quinta-feira (27), não acreditar que em eventual governo petista, Luiz Inácio Lula da Silva respeitaria o Estado Democrático de Direito.

“A impressão que se tem, é que Lula, caso seja eleito — espero que não aconteça — viria um governo absolutamente respeitador do Estado de Direito. Não é verdade. Eles estão tentando cassar o meu mandato.”

Questionado sobre as críticas que fez ao atual mandatário quando deixou o governo em abril de 2020, Moro afirmou que seu apoio a Bolsonaro “não significa reescrever o passado”.

“Trabalhei para uma terceira via. Eu, particularmente, penso que essa polarização é ruim para o país e infelizmente, qualquer que seja o resultado no domingo, nós vamos continuar com o país profundamente dividido”, avaliou Moro.

“Me preocupo com as consequências de uma eleição de Lula, não só pela volta da corrupção, mas o impacto moral que isso tem pelo país”, disse Moro. O senador eleito ainda fez críticas às propostas econômicas apresentadas pelo petista.

Na avaliação de Moro, “precisamos ter a volta da prisão em segunda instância, o fim do foro privilegiado, além de defender maior autonomia dos órgãos de controle”.

Via CNN

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Eleições 2022

Resolução permite ao TSE agir “de ofício” para excluir conteúdos na internet

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Gabriel Hirabahasi,Giovanna Inoue e Leonardo Ribbeiro.

Documento também estipula prazo de duas horas para que sites e administradores de redes sociais retirem da internet conteúdos comprovadamente inverídicos

Uma resolução aprovada nesta quinta-feira (20) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permite à Corte agir de ofício – ou seja, sem ser provocado pelo Ministério Público ou por advogados – em casos que já tenham tido decisões sobre conteúdo idêntico.

Em situações como nova disseminação de desinformação associando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à morte de Celso Daniel ou relacionando o presidente Jair Bolsonaro (PL) ao canibalismo – dois temas, por exemplo, que já foram alvo de decisão do TSE e que os ministros consideraram como desinformação -, o tribunal não precisará aguardar o pedido das campanhas para mandar as plataformas digitais retirarem o conteúdo do ar.

A mesma resolução aprovada também busca dar mais agilidade ao processo de retirada do ar de publicações com informações falsas durante o período eleitoral. A proposta foi colocada na pauta de votação no dia seguinte à reunião entre o presidente da Corte, ministro Alexandre de Moraes, e representantes de empresas que administram redes sociais.

De acordo com o documento, aprovado por unanimidade, o prazo para retirada de conteúdos da internet comprovadamente inverídicos passa a ser de até 2 horas. “Imediata remoção da URL sob pena de multa de 100 mil reais por hora de descumprimento a contar do término da segunda hora a partir após o recebimento da notificação”, explicou Moraes durante sessão, destacando que aumentou muito o número de fake news em circulação durante a disputa do 2º turno.

Entre a antevéspera e os três dias seguintes da realização do pleito, a multa passa a ser aplicada a partir da primeira hora de descumprimento da norma. Pela resolução, o TSE pode determinar extensão de decisão sobre desinformação em decisões com conteúdo idêntico. Via CNN

 

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Brasil

Eleições 2022: por que abstenção pode impedir que pleito seja decidido no 1º turno

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Em 2018, 20,3% dos brasileiros não compareceram às urnas. Foto: José Cruz

As sondagens eleitorais mais recentes mostram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com chance de vitória ainda no primeiro turno das eleições presidenciais, desbancando o atual presidente Jair Bolsonaro (PL), que busca a reeleição.

Mas a possível alta abstenção pode fazer com que o pleito presidencial não se encerre no próximo domingo (2/10).

E a razão para isso está no nível de escolaridade e de renda daqueles que deixam de votar. Parcelas mais pobres e menos escolarizadas do eleitorado costumam comparecer menos às urnas no Brasil.

E é neste segmento que Lula tem maior intenção de voto, como mostram as pesquisas.

No geral, Lula aparece com cerca de 34% de intenção de voto estimulado no primeiro turno entre eleitores com Ensino Superior, mas com 53% entre aqueles com Ensino Fundamental.

Sendo assim, para que o petista assegure a vitória ainda no primeiro turno, é fundamental que seus potenciais eleitores compareçam para votar, diz o cientista político Jairo Nicolau em artigo recente.

Abstenção na eleição presidencial. No 1º turno, em % dos eleitores. .

Nicolau analisou os dados das eleições de 2018 e mostrou que a escolaridade do eleitor é um “fator decisivo” para o comparecimento eleitoral — o percentual cresce de maneira constante à medida que aumenta a faixa de escolaridade.

“Entre os analfabetos, apenas 49,2% compareceram às urnas, enquanto entre os eleitores com curso superior o percentual de comparecimento foi de 88,4%, uma diferença de mais de quase 40 pontos percentuais. Vale lembrar que o voto não é obrigatório para os analfabetos”, diz ele.

Segundo Nicolau, “se o padrão observado em 2018 se repetir em 2022, há uma boa e uma má notícia para a candidatura de Lula”.

“A boa é uma maior participação eleitoral das mulheres (elas tendem a comparecer mais que os homens). Os números são pequenos, mas lhe favorecem. A má notícia é que eleitores de baixa escolaridade comparecem muito menos do que os de escolaridade alta e média; até agora, as pesquisas mostram que Lula lidera com folga entre os eleitores que cursaram até o fundamental completo ou não foram à escola”.

Nicolau acrescenta que a escolaridade foi fundamental para que Bolsonaro assegurasse a vitória em 2018, pois teve amplo apoio dos eleitores de média e alta escolaridade.

“Pode ser novamente em 2022 para a vitória de Lula. Mas é fundamental que seus potenciais eleitores compareçam para votar. A convocação para que os eleitores de baixa escolaridade (e baixa renda) saiam de casa no dia 2 de outubro pode ser decisiva para Lula”, conclui Nicolau.

Impossível de prever abstenção

Diretores de institutos de pesquisas ouvidos pela BBC News Brasil concordam com essa premissa.

Eles ressalvam, contudo, que não é possível prever o nível de abstenção nas eleições deste ano — apesar de ela não ter mudado consideravelmente se analisarmos as últimas eleições brasileiras.

No entanto, nas eleições de 2018, por exemplo, ela foi de 20,3%, o nível mais alto desde 1998, quando 21,5% do eleitorado não compareceu às urnas. Em 2010, de 18,1%. Em 2006, de 16,7%. E em 2002, quando Lula se tornou presidente pela primeira vez, de 17,7%.

Sendo assim, numa eleição em que a disputa por cada voto pode decidir o pleito ainda no primeiro turno (o candidato mais votado tem que ter a maioria absoluta dos votos válidos para assegurar a vitória), essas pequenas diferenças porcentuais podem fazer a diferença, dizem eles.

Luciana Chong, diretora do Datafolha, diz que se o nível de abstenção se mantiver como o de 2018, isso pode “desfavorecer Lula, uma vez que o perfil dessa abstenção é próximo ao perfil dos eleitores dele”.

“Mas precisamos avaliar se esse perfil de abstenção se manterá”, acrescenta.

Felipe Nunes, diretor do instituto de pesquisas Quaest, concorda: “Se a abstenção seguir o padrão normal, sim, pode dificultar Lula vencer no 1º turno”.

E Márcia Cavallari, CEO do Ipec, também: “Nas eleições de 2018, de acordo com o TSE, a abstenção foi maior entre os menos escolarizados e isso pode sim impactar na votação de Lula já que ele tem uma boa votação neste segmento”.

Outro elemento que pode mexer nessa xadrez eleitoral é a taxa de comparecimento dos eleitores dos outros candidatos.

Segundo o DataFolha, quase 90% dos apoiadores de Lula e Bolsonaro têm ao menos um pouco de vontade de votar. Entre os eleitores de Ciro Gomes, 34% não têm “nenhuma vontade” de ir às urnas. No eleitorado de Simone Tebet, essa taxa é de 40%.

Como lembra o colunista da Folha de S. Paulo Bruno Boghossian em artigo recente, “o baixo compromisso de eleitores de Ciro e Simone pode ser favorável ao ex-presidente. Se parte não aparecer para votar, o número de votos válidos de que Lula precisa para vencer no primeiro turno fica menor. Esse grupo também pode ajudá-lo se aderir ao voto útil”.

Porcentual de comparecimento por escolaridade

Quanto mais baixa a escolaridade, menor o comparecimento eleitoral. Foto: Jairo Nicolau

Menor peso

No entanto, em artigo escrito para o jornal Valor Econômico, Fernando Meireles, pesquisador de pós-doutorado em ciência política no Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), faz uma ressalva.

Ele diz que, embora o eleitorado que vota em Lula costume comparecer menos, isso não significa que suas chances de vitória no primeiro turno diminuam.

Isso porque, em sua visão, é preciso considerar o peso relativo de cada segmento que comparece em relação ao peso dos demais.

“Eleitores analfabetos eram apenas 4,5% do eleitorado apto a votar em 2018 e, mesmo com a sua baixíssima taxa de comparecimento de 49,2%, seu peso relativo caiu apenas para 2,8% do eleitorado que foi às urnas — diferença de 1,7 ponto percentual em relação ao seu peso no eleitorado apto como um todo”.

Em relação aos que tinham Ensino Médio completo, a diferença foi maior: de 22,8% do eleitorado apto em 2018, acabaram representando 24,6% do eleitorado que votou.

Nos demais segmentos, o peso relativo de cada grupo que foi votar “permaneceu similar ao que era no eleitorado apto como um todo, isto é, diferenças nas taxas de comparecimento foram similares entre faixas do eleitorado”.

Segundo Meireles, a maior mudança entre o eleitorado apto a votar e o eleitorado que efetivamente votou em eleições anteriores “ocorre na faixa de pessoas com 70 anos ou mais”.

“Esse grupo, que não é obrigado a votar, representou 8,2% do eleitorado apto em 2018, mas teve peso final de apenas 3,9% no eleitorado que efetivamente foi às urnas, uma diferença líquida de 4,3 pontos percentuais”.

Meireles questiona, portanto, qual seria o impacto de uma baixa taxa de comparecimento em algum segmento que apoia Lula.

E recorre à matemática para explicar seu ponto de vista.

“Seguindo no exemplo dos mais idosos, se eles dão cerca de 48% de votos para Lula, como indicam pesquisas recentes, e comparecem 4,3 pontos percentuais a menos do que outros segmentos que votam 40% em Lula (como pessoas entre 45 a 59 anos), o baixo comparecimento resultaria em um desvio de apenas 0,34% de votos em função do comparecimento”.

“Na prática, identificar o peso das mudanças no perfil do eleitorado no resultado da eleição não é um exercício tão simples — diferenças entre grupos se cruzam — mas o ponto não muda: para afetar substantivamente a votação de qualquer candidatura, diferenças nas taxas de comparecimento (e na intenção de votos) entre diferentes grupos precisam ser grandes, o que não tivemos nas últimas eleições.”

Como outros especialistas, Meireles reafirma que não há como prever se a taxa de comparecimento desta eleição será igual à dos pleitos anteriores.

“De toda forma, se o comparecimento vai ou não decidir o resultado do primeiro turno da eleição, na verdade, tem muito mais a ver com o desempenho individual de Lula, pois, com votos válidos estimados pelos principais institutos do país indistinguíveis de 50%, qualquer fração de votos a mais ou a menos importa”.

Bolsonaro x Lula

Últimas pesquisas mostram Lula à frente de Bolsonaro nas intenções de voto, com possibilidade de vitória do petista ainda em primeiro turno. Foto: Reuters

À BBC News Brasil, Meireles diz que, “em caso de margem apertada certamente a taxa de comparecimento será decisiva”, mas “nesse caso, tão ou mais decisivo será o voto útil e o movimento de indecisos na véspera”.

O fato é que o comparecimento eleitoral se tornou uma preocupação para Lula e Bolsonaro.

O petista quer decidir a eleição já no primeiro turno e conclamou seus eleitores por vídeo a comparecerem às urnas.

Já a campanha de Bolsonaro teme que parte de seus apoiadores deixe de votar pela chance de derrota.

Fonte: BBC

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Brasil

Eleições 2022: voto branco e voto nulo beneficiam algum candidato?

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Foto: Reuters

Chegou o dia das eleições e nenhum dos candidatos lhe agrada. Você decide votar em branco ou anular o voto.

 

Para se ter uma ideia, no segundo turno das eleições presidenciais de 2018, os votos brancos somaram 2,4 milhões, ou 2,1%, enquanto o porcentual de votos nulos chegou a 7,4%, o maior registrado desde 1989, totalizando 8,6 milhões.

Mas o que acontece quando há voto nulo ou em branco?

O voto é simplesmente “descartado” e não entra na conta dos chamados votos válidos, que definem a eleição.

O voto branco e o voto nulo são gerados quando o eleitor digita a tecla BRANCO na urna, escolhe um número de candidato que não existe ou erra ao votar, preenchendo e confirmando o número do presidente no lugar do código do governador, por exemplo.

Mas se esse voto é “descartado”, qual é o impacto dele nas eleições?

Ele pode ajudar a determinar a disputa.

Isso porque para vencer uma eleição em primeiro turno, o candidato à presidência, por exemplo, precisa de maioria absoluta, ou seja, de 50% dos votos válidos mais um.

Votos válidos são todos aqueles que não são votos nulos ou brancos.

Sendo assim, se o número de pessoas que votam nulo ou branco é alto, isso quer dizer que o total de votos válidos em disputa vai ser menor. Ou seja, o vencedor vai precisar de menos votos para atingir a maioria absoluta e ganhar.

Para ficar mais claro, imagine uma eleição com dez eleitores e três candidatos. O primeiro colocado recebe cinco votos, o segundo três, e o último dois.

Nesse caso, haveria segundo turno, porque nenhum dos candidatos atingiu a marca de 50% dos votos mais um.

Mas se um dos eleitores do terceiro candidato votar nulo, o primeiro candidato conseguiria se eleger com os mesmos cinco votos.

Por quê? Porque ele teria a maioria absoluta dos votos mais um (nesse exemplo, os outros dois candidatos teriam quatro votos no total).

E se a maioria dos votos for nulo ou branco? Mesmo que mais da metade da população anulasse o voto, isso não anularia uma eleição. Ela só teria um número menor de votos válidos.

Vale lembrar que nas eleições deste ano, o eleitor vai votar para cinco cargos: deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente (no caso do Distrito Federal, deputado distrital). E votar em branco ou anular a opção de voto para um desses cargos, não invalida o voto para os demais. Via BBC

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Brasil

Sob pressão, Bolsonaro alimenta fantasma da fraude enquanto tenta levar disputa ao segundo turno

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Fonte: Reuters

Após atravessar acidentes de percurso e ignorar até mesmo seu comando de campanha, o presidente Jair Bolsonaro (PL) vai apostar até o último minuto no desgaste do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocado por escândalos de corrupção para tentar levar a disputa eleitoral para o segundo turno, sonhando com uma improvável virada que lhe permita permanecer no Planalto.

Bolsonaro, de 67 anos, enfrentará o julgamento das urnas sobre seu governo neste domingo em uma inédita situação de desvantagem desde a adoção do instituto da reeleição há 25 anos, segundo pesquisas de intenção de voto, que não descartam inclusive uma vitória de Lula já neste domingo.

O militar reformado foi um fenômeno da extrema-direita em 2018, surfando nas redes sociais no antipetismo inflado pela operação Lava Jato contra um Lula preso, condenado por corrupção.

Com o impulso da superexposição por ter sido alvo de um atentado à faca, Bolsonaro elegeu também dois de seus filhos ao Legislativo e ainda emplacou uma bancada expressiva no Congresso, além de aliados “outsiders” nos Estados.

Quatro anos depois, o presidente tem o trunfo de ter se consolidado como um político de forte base popular, com amplo apoio em vários setores da sociedade, especialmente no agronegócio e entre os evangélicos.

É o antípoda inconteste de Lula, e seu movimento nacionalista conservador não tem rival na direita brasileira, que não conseguiu emplacar candidatos competitivos na disputa.

Ainda assim, Bolsonaro está sob pressão. A história da eleição gira em torno das consequências da crise econômica e social na esteira da pandemia de Covid-19 que matou quase 700 mil pessoas enquanto era desacreditada pelo mandatário, que minimizou consequências e militou contra vacinas e medidas de isolamento.

O pêndulo também mudou para seu rival, Lula, que teve as ações contra si anuladas pela Justiça e agora lidera uma coalizão que diz se contrapor à ameaça à democracia que seu adversário, que agita sem provas o fantasma de fraude nas urnas, representaria.

No entanto, é no sentimento anti-PT que Bolsonaro e sua equipe de campanha centraram –nem sempre de forma coordenada– sua artilharia em discursos, na propaganda oficial no rádio e na TV e nas redes sociais.

“Lula é o maior ladrão que passou pela história da humanidade”, vaticinou o presidente em comício em Campinas no sábado 24 de setembro, dia em que o adversário foi insultado mais de 10 vezes em 18 minutos de discurso.

Mas nem tudo que funcionou há quatro anos atrás dá frutos agora. Segundo pesquisa recente do Ipec, Lula tem 35% de rejeição, contra 51% de Bolsonaro, uma barreira que impede o presidente de crescer.

SEM BALAS DE PRATA

Até as chamadas “balas de prata” imaginadas pelo QG bolsonarista tiveram alcance limitado. Nem a melhora dos índices econômicos nem o pacotaço de benefícios aprovado no Congresso, que aumentou em 50% o Auxílio Brasil e forçou a queda do preço dos combustíveis, atingiram a meta do início do ano de que, no máximo em julho, estaria empatado com Lula nas sondagens.

Curiosamente, o candidato à reeleição tem sido um novato em fazer campanha de forma tradicional, sem o impacto pelo uso das redes sociais que colheu na disputa passada.

Apesar de contar com milionários recursos da coligação centrista PL-PP-Republicanos, ao contrário da corrida pelo nanico PSL em 2018, Bolsonaro ainda tem feito uma campanha com grande doses de improviso, segundo fontes.

A expectativa era de ocorrer briefings temáticos e um porta-voz para lidar com demandas da imprensa, assim como a estruturação de comitês em cada um dos Estados e no Distrito Federal. Nada disso foi adiante.

A ala profissional da campanha também entrou em embate com os ideológicos –predominantes quatro anos atrás– quando tentou dar uma nova roupagem ao candidato. “Vou continuar fazendo o meu aqui e dane-se esse papo de profissionais do marketing… Meu Deus!”, disse o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), um dos principais responsáveis pela campanha vitoriosa em 2018.

Não bastasse esses desentendimentos, admitiu uma das fontes, o presidente dificultou o trabalho de conquista do eleitorado feminino. A equipe convenceu a primeira-dama Michelle Bolsonaro a mergulhar na campanha do marido, mas ataques do presidente a mulheres, como ocorreu no debate da TV Bandeirantes, colocou o esforço a perder.

No embate com Lula no quesito corrupção, o presidente teve a bandeira abalada após ter vindo à tona reportagens do UOL no final de agosto sobre o uso de dinheiro vivo em 51 dos 107 imóveis comprados pela família do candidato à reeleição nos últimos 30 anos. A campanha chegou a detectar desgaste em relação a isso.

Contudo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um dos coordenadores da campanha à reeleição, recorreu à Justiça para censurar a publicação. Conseguiu temporariamente e comemorou essa decisão em rede social.

“Foi um erro terrível o vídeo do Flávio”, disse uma das fontes, ao avaliar que a decisão judicial de tirar do ar a reportagem, depois derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), acabou por ressuscitar a história.

Em meio a esses reveses, Bolsonaro e aliados tentam manter o ânimo dos simpatizantes na reta final. A estratégia é desacreditar o resultado das pesquisas, destacar que o que vale é o “datapovo”, explorando motociatas, comícios e as manifestações como as de 7 de Setembro, um dos momentos em que demonstrou maior força popular.

Ainda há uma linha de atuação que é insistir publicamente que o presidente é quem vai se reeleger no primeiro turno –embora os levantamentos nacionais indiquem o contrário.

Nos bastidores, entretanto, há o temor de uma onda pró-Lula leve a um esvaziamento das candidaturas de Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) e a vitória do petista.

“É uma preocupação real, tem havido convergência nas pesquisas, até mesmo as mais duvidosas, apontando um avanço de Lula”, admitiu uma das fontes.

QUESTIONAMENTO DOS RESULTADOS

Nesse cenário desfavorável, ganha ainda mais corpo outra frente que Bolsonaro tem explorado desde o início da sua gestão –com reforço na campanha–, que é o figurino antissistema, com ataques à cúpula do Judiciário e questionamentos às urnas eletrônicas, usando sua ascendência hierárquica sobre os militares.

Aliados políticos e integrantes da campanha à reeleição, entretanto, sempre foram contrários a esse expediente porque não agregaria votos e reduziria a alta rejeição que ele tem.

Na campanha e mesmo no Ministério da Defesa, segundo fontes, se diz que não há qualquer tipo de plano –e apoio– para uma eventual ação golpista em caso de derrota.

A preparação para neutralizar o avanço desse tipo de ação ocorre há pelo menos um ano, após apoiadores do presidente, incentivados por seus ataques aos tribunais, terem tentado ocupar o Supremo Tribunal Federal em Brasília, inspirados pelo ataque de trumpistas em janeiro de 2021 ao Capitólio dos EUA.

Essas articulações públicas e de bastidores envolvem nomes da Suprema Corte, com e sem assento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e parlamentares, principalmente do Senado.

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo, não vê esse tipo de turbulência acontecendo no Brasil, onde a certificação do presidente eleito é emitida pelo TSE, e não pelo Congresso.

“Não (acredito em repetição). Devagar as pessoas estão chegando a sua visão de que isso não vale a pena. A sociedade também reagiu em defesa da democracia”, disse ele à Reuters.

Entre os militares, que nunca desde 1985 tiveram tanta influência em uma administração como sob Bolsonaro, a previsão não aponta para episódios de tensão tampouco.

“As Forças Armadas seguem a legalidade”, destacou um alto oficial do Exército que acompanha as tratativas para um processo eleitoral tranquilo.

O militar elogiou o trabalho que o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, fez em aceitar sugestões dos militares como a inédita permissão de realizar no dia da eleição um teste-piloto de integridade das urnas eletrônicas com biometria.

O clima, no entanto, ainda é tenso entre o TSE e a campanha. O TSE de Moraes se apressou para rebater nesta semana um documento divulgado pela campanha do presidente que afirmou haver “riscos elevados” de quebra de segurança do sistema eleitoral, e classificou as alegações de falsas, antidemocráticas e com o intuito de atrapalhar as eleições perto do primeiro turno.

Também nesta semana, em uma live, o presidente voltou a subir o tom contra Moraes e o acusou, sem provas, de ser o responsável pelo vazamento de informações de um inquérito da Polícia Federal que apontaria o pagamento de transações suspeitas para a primeira-dama Michelle Bolsonaro.

“Alexandre, você mexer comigo é uma coisa. Você mexer com a minha esposa, você ultrapassou todos os limites, Alexandre de Moraes. Todos os limites. Está pensando o que da vida? Que você pode tudo e tudo bem? Você um dia vai dar uma canetada e me prender? Isso que passa pela tua cabeça? É uma covardia”, exaltou-se.

A dois dias do primeiro turno, integrantes da campanha admitem que Bolsonaro é “imprevisível”, ainda mais quando acuado –não apenas pelos números das pesquisas como por investigações que envolvem aliados e que tramitam no Supremo.

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