Published
12 segundos agoon
By

Figurino resgata estética dos anos 70 com pesquisa em arquivos e álbuns de família
O figurino de época é um dos destaques do filme “O Agente Secreto”, que concorre em quatro categorias do Oscar, no domingo (15). Para recriar o visual do Recife na década de 1970, a figurinista Rita Azevedo mergulhou em pesquisas históricas, arquivos públicos e até em álbuns de família (veja vídeo acima).
O trabalho foi feito em parceria com o diretor Kleber Mendonça Filho, com quem ela já colaborou em outros filmes. Em entrevista à TV Globo, Rita contou que a parceria com o cineasta começou em 2015, quando foi convidada para criar o figurino do filme “Aquarius”. Desde então, os dois trabalharam juntos em três produções cinematográficas.
✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp
“Eu tenho uma parceria com o Kleber já de três filmes. É uma parceria longa, então, quando ele me chamou para fazer ‘O Agente Secreto’ e eu vi que era dos anos 70, eu sabia que eu tinha a obrigação de fazer uma pesquisa que dialogasse, de alguma forma, com o imaginário do Kleber nesse período”, afirmou a figurinista.
Ao todo, foram oito semanas de pesquisa e preparação. A equipe do filme consultou acervos públicos e reportagens da época para entender como as pessoas se vestiam naquele período, mas também buscou referências mais íntimas, como álbuns da família de Rita.
LEIA TAMBÉM:
Saiba como conseguir ingressos para assistir ao Oscar no Cinema São Luiz, cenário do filme
Parte das referências veio de dentro da própria casa da figurinista. A identidade visual do protagonista, interpretado por Wagner Moura, foi inspirado no estilo do pai dela, que também era engenheiro. Além das roupas, as fotografias também ajudaram a modelar expressões corporais e trejeitos.
“Eu acabei mergulhando no universo de um álbum de um período que eu não vivi, mas que eu era muito familiarizada. Foi muito importante entrar nesse universo do meu pai, resgatar essa vida dele enquanto engenheiro nos anos 70 e trazer, para além do figurino, algumas expressões corporais que ajudaram, inclusive, Wagner nessa construção do personagem”, disse a figurinista.
Ao todo, cerca de 50 personagens e centenas de figurantes foram transportados visualmente para 1977. Segundo Rita, a equipe teve que observar diferenças entre classes sociais, idades e até o clima do Recife para compor os figurinos.
“A gente tinha que observar várias classes sociais, as pessoas não se vestiam da mesma forma […] A gente precisava também retratar este calor do Recife e entender de que forma a gente conseguiria fazer isso, com blusas abertas com botões até quase no umbigo… os shorts super curtos, a modelagem das calças, a modelagem das camisas… tudo isso era de extrema importância e eram esses álbuns que traziam essas informações e que faziam com que a gente confeccionasse essas roupas”, afirmou a figurinista.
Um dos maiores desafios da produção foi vestir os figurantes de uma cena de carnaval de rua, que reuniu cerca de 300 pessoas. No total, quase três mil peças foram usadas nas gravações. Cerca de 70% vieram de acervos que alugam roupas de época para o cinema. O restante foi confeccionado por costureiras locais, a partir das referências pesquisadas pela equipe.
Profissionais da equipe de figurino acompanharam as filmagens no set para fazer ajustes de última hora nas roupas dos atores e figurantes.
“Tinham duas costureiras fixas e umas cinco costureiras que ficavam de forma itinerante, acompanhando a gente nos sets de filmagens para poder fazer ajustes de bainha, de boca sino, ajustes de roupa, porque tudo isso é meio que feito na hora”, explicou Rita.
Entre as peças que ganharam destaque no filme, uma se tornou especialmente marcante para o público: a blusa da Pitombeira, tradicional bloco carnavalesco de Olinda. Sucesso absoluto, a peça teve fila de espera para ser comprada e foi falsificada por camelôs no Centro do Recife.
“A blusa da Pitombeira virou uma peça icônica, é impressionante. Foi emocionante ver, fui dois dias para [o carnaval de] Olinda e recebi muitas imagens dos amigos. É a potência do filme, eu acho que a potência dos atores, mas é a potência do figurino também. Foi muito gratificante. Eu fiquei feliz”, contou.
Com o reconhecimento do trabalho, Rita relatou que vive o momento com entusiasmo enquanto aguarda a principal premiação do cinema mundial. “Eu estou vivendo um dia após o outro, mas eu estou muito feliz, e a gente tem comemorado muito. O Oscar vai vir aí para coroar, e a gente vai levar uma estatueta com certeza”, declarou.
Figurinos do longa ‘O Agente Secreto’ foram inspirados em arquivos históricos e álbuns de família
Vitrine Filmes/Reprodução
VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias