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Em cartaz em '(Des)controle', Carolina Dieckmmann celebra cinema nacional e esclarece boatos sobre 'Vale tudo'

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Em cartaz em '(Des)controle', Carolina Dieckmmann celebra cinema nacional e esclarece boatos sobre 'Vale tudo'


Carolina Dieckmmann diz que nunca esteve envolvida com Heleninha de ‘Vale tudo’
Carolina Dieckmmann está preparada para se aventurar mais pelo cinema. A atriz de 47 anos que começou longa carreira na TV em 1993 estrela agora seu sétimo filme, “(Des)controle”, que estreia nesta quinta-feira (5) no Brasil.
Na obra dirigida por Rosane Svartman (“Câncer com ascendente em virgem”) e Carol Minêm (“Máscaras de oxigênio não cairão automaticamente”), ela interpreta uma escritora sobrecarregada que reluta em reconhecer e lidar com seu alcoolismo.
A história ressoa muito com a atriz, que fala abertamente sobre os problemas de sua mãe, Maíra, com a bebida.
“Eu acho que isso é uma dor que me acompanha e que no filme me dá uma autoridade sentimental de fazer essa personagem num lugar muito de dentro”, afirma ela, em entrevista ao g1.
Filmado no final de 2024, o projeto também encontra ecos com uma outra personagem famosa pelo vício que diversos boatos ligaram a Dieckmmann na mesma época.
“Nunca pedi para fazer a Heleninha”, diz a atriz, sobre rumores que até hoje insistem que ela interpretaria o papel na regravação de “Vale tudo”.
No fim, a mulher sofrida, interpretada por Renata Sorrah na versão original, ficou nas mãos de Paolla Oliveira. Carolina deu vida a Leila, que tinha sido vivida por Cássia Kis, em 1988.
“Não houve isso. Mas eu acho que, se eu tivesse sido convidada para fazer a Heleninha, eu teria que fazer uma opção. Eu não faria as duas personagens de maneira nenhuma.”
Na conversa, a atriz fala sobre suas inspirações para interpretar a protagonista de “(Des)controle”, esclarece melhor a história de seu envolvimento com a novela, celebra a grande fase do cinema nacional e até diz com quem ainda gostaria de trabalhar.
“Nossa, Kleber Mendonça e Wagner Moura, pode botar aí, né?”
Leia a conversa na íntegra abaixo, editada para clareza:
g1 – Você já falou da sua relação próxima com o alcoolismo. Como que isso pode ser visto no filme?
Carolina Dieckmmann – Eu acho que isso é uma dor que me acompanha e que no filme me dá uma autoridade sentimental de fazer essa personagem num lugar muito de dentro, sabe?
Essa personagem não passa por fora, não passa pela forma, não passa pela caricatura, não passa pelo gestual. Esse é um trabalho que eu faço de um lugar muito íntimo, que eu conheço, de dor, embora num outro ponto de vista, mas é muito forte, né? Muito profundo.
Então eu acho que o que tem de diferente é a autonomia que eu tenho para fazer uma mulher que passa pelo que ela está passando no sentido da dor, no sentido emocional dela. Não no sentido do vício, que eu não tenho, mas no sentido da dor, no sentido das emoções, na relação da família, nos olhares, no sofrimento. Eu tenho um lugar muito profundo disso.
Carolina Dieckmmann em cena de ‘(Des)controle’
Divulgação
g1 – E às vezes é interessante porque o filme, ao mesmo tempo, tem um olhar também com uma certa leveza. Ele não é um dramalhão, não é aquela coisa que às vezes até vai um pouco além. Ele tenta lidar com uma certa leveza. Isso ajudou a te aproximar do projeto, assim, acho que talvez até ver com um olhar um pouco menos pessoal e um pouco mais de leveza?
Carolina Dieckmmann – Não. Eu acho que a coisa da leveza do filme cria um contraste.
Eu acho que ela ajuda as pessoas a se identificarem, porque é muito duro o assunto que a gente está falando, mas foi uma opção de quem escreveu e depois dos combinados de como o filme ia ser dirigido, das opções da Rosane (Svartman), da Carol (Minêm), da Iafa (Britz, uma das roteiristas).
Não há uma questão em mim de fazer um filme mais pesado ou mais leve. Eu acho que esse assunto tem que ser tratado com respeito, sabe?
Eu fico muito confortável em ter feito esse trabalho por conta delas, por conta da abordagem delas, da segurança que elas me deram, do colo, sabe? Do acolhimento das minhas dores, do respeito em como lidar comigo no set, na preparação.
Então isso, para mim, é um fator de maior aceitação. É isso que eu estava buscando para poder falar desse assunto.
O fato de ele ser leve, eu acho que é uma opção mesmo de quem escreveu e, enfim, da Iafa, das diretoras. Não passou por mim, isso que eu queria te dizer.
g1 – E o roteiro, eu sei que no cinema, às vezes, vocês começam a trabalhar no projeto e o roteiro é mais ou menos aquilo que a gente está vendo no resultado final, e às vezes passa por muitas mudanças. Eu já entrevistei pessoas que falaram: ‘Ó, o que eu li quando aceitei entrar nesse projeto é completamente diferente’. Como foi para nesse caso?
Carolina Dieckmmann – O roteiro é bem próximo. O roteiro foi mudando até, sei lá. Acho que o roteiro final eu tive três dias antes de começar a filmar.
Durante a preparação, a gente tinha cenas que eram reescritas meio na hora. Então, o processo foi muito vivo e muito acomodado aos atores que estavam fazendo, muito aberto às trocas, às coisas que aconteciam no ensaio.
Esse roteiro foi ganhando um corpo de acordo com o trabalho que a gente foi fazendo, mas mais nesse sentido mesmo, sabe? De ter sido mudado no processo.
A partir do momento que a gente teve o roteiro e começou a filmar, ele está bem próximo do que a gente filmou.
g1 – Tem uma fala famosa do Michael Caine, de que uma pessoa, quando está embriagada, está tentando fingir que está sóbria, está se concentrando. Como foi a sua interpretação nesse caso? Veio muito da sua observação da sua vida?
Carolina Dieckmmann – Eu acho que as pessoas, quando bebem ou quando fazem uso de substâncias que alteram o comportamento, têm milhões de maneiras de isso acontecer.
Tem pessoas que conseguem segurar a onda, que você nem sabe que ela tomou alguma coisa. Tem pessoas que começam a tropeçar no primeiro gole. Tem outras que ficam mais engraçadas, aí depois ficam deprimidas. É muito plural.
A gente fica querendo ver de um jeito, como se aquele jeito fosse o único, e é tudo que ele não é. Cada pessoa fica de um jeito.
O que eu busquei fazer na Kátia, e na Kátia alcoolizada, foi um trabalho de corpo com a Dani Visco, que era encontrar o desequilíbrio do corpo quando alcoolizado, a lentidão, a fala, o porquê de essas coisas acontecerem dentro do meu corpo.
Foi um processo muito particular, de como eu fui fazendo escolhas, colocando isso, entendendo os processos, em que áreas do corpo isso vai acontecendo, e fazer esse processo de dentro para fora, porque eu acho que quando você faz de dentro para fora, sem buscar uma forma, sem buscar um gesto específico, aquilo fica mais verdadeiro.
Júlia Rabello e Carolina Dieckmmann em cena de ‘(Des)controle’
Divulgação
g1 – E a Kátia tem ali a Vânia, que é a versão…
Carolina Dieckmmann – Superpoderosa dela (risos).
g1 – É. O alter ego. Você tem uma Vânia assim, uma versão que você às vezes olha e fala ‘não sou eu’?
Carolina Dieckmmann – Acho que eu convivo com isso. Eu, por ser atriz, acabo convivendo com muitas facetas, né? Não acho que muda a minha personalidade, quem eu sou, mas às vezes você fica mais influenciada por uma coisa.
Vou te exemplificar isso. Quando eu fiz a Leona (“Cobras & Lagartos”), até o começo da Leona eu roía a unha. Eu parei de roer a unha para fazer a Leona porque ela tinha que ter a unha pintada.
E ali, naquele momento, eu comecei a gostar de unha por causa da personagem. Aí eu ficava: ‘Gente, por que eu nunca parei de roer a unha antes? Por que eu não ia na manicure?’.
Então são influências que vão acontecendo, às vezes num lugar estético, às vezes num lugar em que você faz um personagem, começa a ler um livro por causa do personagem, entra na vibe daquele personagem.
Eu sou uma artista, eu sou permeável, eu gosto de me misturar nos meus trabalhos e com as pessoas com quem eu encontro e com quem eu tenho interesse de trocar.
Então, volta e meia, eu me vejo influenciada por coisas e pessoas interessantíssimas que eu cruzo na vida, mas acho que não num lugar de alterar a minha essência ou me fazer não me reconhecer. Eu acho que é mais uma influência mesmo.
g1 – No filme, você interpreta uma mulher com problemas com alcoolismo. E tem os boatos de que você esteve envolvida originalmente com o papel da Heleninha, em ‘Vale Tudo’. O filme foi gravado antes da novela. Então, se rolasse, você acha que te afetaria fazer duas personagens seguidas marcadas por esse tema?
Carolina Dieckmmann – Eu acho que não. Não seria possível fazer os dois papéis, eu acho, por uma questão até de carreira.
Eu não gostaria de fazer, né? O filme eu acabei de filmar colado com a novela. Então, eu não faria essa escolha, não faria os dois papéis seguidos um do outro.
Acho que é uma questão de escolha de carreira mesmo. De você olhar: ‘vou fazer uma alcoólatra atrás da outra?’. Eu acho que é mais nesse lugar.
g1 – Foi uma questão de opção, então? Não ter ido atrás da Heleninha, ter buscado outro papel?
Carolina Dieckmmann – Essa coisa da Heleninha surgiu de uma força popular. Eu acho até hoje que essa coisa das pessoas começarem a falar que eu ia fazer Heleninha tem a ver com a Renata (Sorrah). Tem a ver com eu ter feito a filha dela, a filha da Nazaré.
As pessoas começaram a entrar numa coisa de que eu tinha que fazer um papel que tinha sido da Renata. Pelo menos foi o que chegou para mim. Eu não sei como chegou para você, mas para mim virou isso.
E eu ficava falando: ‘Mas por que as pessoas estão falando isso?’.
Eu tinha pedido para a Manuela, porque eu queria fazer ‘Vale Tudo’. Quando eu soube que era ela que ia fazer, eu mandei uma mensagem para ela no Instagram dizendo que eu adoraria fazer (a novela). E até nessa mensagem eu falava da Raquel, que era a personagem que eu tinha quando eu era criança, aquela coisa da vendedora de sanduíche.
E aí depois eu vi que era a Thaís. Eu amei. Achei a maior sacação da história a Maria de Fátima e a Raquel serem pretas. Acho incrível, por esse aspecto, ter feito essa mudança. Acho que a mudança mais legal de ‘Vale Tudo’, eu diria que foi essa.
Então, assim, não houve isso. Nunca pedi para fazer a Heleninha. Não houve isso. Mas eu acho que, se eu tivesse sido convidada para fazer a Heleninha, eu teria que fazer uma opção. Eu não faria as duas personagens de maneira nenhuma.
Alexandre Nero e Carolina Dieckmmann em cena de ‘Vale tudo’
Divulgação
g1 – Bom te perguntar isso, até para esclarecer que sempre ficam esses boatos.
Carolina Dieckmmann – Eu já falei isso algumas vezes, mas ninguém coloca a minha versão. Não sei por quê. Mas eu já falei isso outras vezes. Essa é a verdade.
g1 – Como é que você tem visto esse momento do cinema nacional? O Brasil este ano tem cinco indicações ao Oscar. Isso te atrai para trabalhar mais? Você sente que a indústria cinematográfica brasileira está mais aquecida?
Carolina Dieckmmann – Eu acho que não é nem uma questão de achar. Eu acho que é uma questão de olhar a realidade.
A gente teve um período em que as coisas para a cultura ficaram muito complicadas, por questões políticas, por milhões de questões.
Então, eu acho que o que a gente está vivendo agora é uma nova retomada. É um novo fôlego depois de um período difícil.
E acho maravilhoso que a gente esteja tendo esse reconhecimento, porque isso chancela que a gente é uma cultura extraordinária, riquíssima, que a gente tem condições de competir com pessoas de países onde o incentivo nunca parou de ser feito. Onde se fala e ajuda e fomenta a cultura ininterruptamente.
E a gente, no Brasil, sambando do jeito que dá, faz filmes, tem atores que chegam nesses lugares. Acho que isso é dizer: ‘Gente, é isso aí. A gente tem condição. A gente é foda, sabe? A gente tem uma cultura muito rica. A gente gera emprego. O entretenimento é importante. A arte comunica, reflete, alimenta’.
Então eu fico muito feliz de isso estar acontecendo e de, de alguma forma, eu estar participando também, fazendo filmes, porque o cinema é uma novidade na minha vida assim tão intensamente.
Então eu fico feliz de estar nesse movimento, aproveitando essa avalanche de intenção que a gente tem de fazer mais.
g1 – Então você tem vontade de fazer cada vez mais cinema? Tem algum gênero que você não tenha trabalhado ainda ou tenha trabalhado brevemente e queira fazer de novo? E tem alguém com quem você sonha trabalhar no cinema?
Carolina Dieckmmann – São muitos, muitos.
Mas essa coisa do gênero é engraçada. Eu tenho uma predileção não só por fazer, mas por assistir dramas. É o que eu gosto. Eu gosto de emocionar, eu gosto de ser emocionada.
É o lugar onde eu me sinto, não confortável, porque não é um lugar confortável de estar, mas é o lugar que eu gosto. Eu gosto de provocar isso em mim. Eu gosto de ir ao cinema e me emocionar com algo.
Meus filhos brincam dizendo: ‘Ah, não, mamãe. Não dá nem para ver filme de super-herói com você’, porque eu choro.
A minha maneira de ver a vida é emocionada. Eu gosto de escrever sobre a vida de uma maneira emocionada. Eu gosto de me comunicar de uma maneira emocionada. Então, é onde eu tenho vontade de estar.
Mas eu fiz um filme de terror que o Rodrigo Teixeira me chamou por uma loucura. O filme ficou dez anos sem ser mexido e agora resolveram lançar. E foi superlegal.
Então pode acontecer convite, pode ser muito legal, mas, como espectadora, eu gosto mais de drama, e como atriz também.
g1 – Quem é que você gostaria muito de trabalhar? Que seria o sonho?
Carolina Dieckmmann – Gente, você vai me fazer fazer essa lista e pagar esse mico? (risos)
g1 – Porque vai que… Joga pro universo. Vai que vem, né?
Carolina Dieckmmann – Nossa, Kleber Mendonça e Wagner Moura, pode botar aí, né? Porque está próximo, mas, sei lá, Andrucha (Waddington), que eu nunca trabalhei, que eu conheço há séculos. Eu nunca trabalhei com ele.
Muita gente interessante. Heitor Dhalia. O Brasil tem muita gente com quem eu gostaria de trabalhar ainda. E eu, no cinema, não trabalhei com quase ninguém.

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