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Elizabeth, a rainha que se mudou com um mundo em mudança

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A maior conquista da rainha britânica Elizabeth, que morreu nesta quinta-feira após 70 anos no trono, foi manter a popularidade da monarquia ao longo de décadas de mudanças políticas, sociais e culturais sísmicas que ameaçavam torná-la um anacronismo.

Uma figura digna e confiável que reinou por mais tempo do que qualquer outro monarca britânico, Elizabeth ajudou a conduzir a instituição para o mundo moderno, eliminando o ritual da corte e tornando-o um pouco mais aberto e acessível, tudo sob o brilho de uma mídia cada vez mais intrusiva e muitas vezes hostil.

Enquanto a nação sobre a qual ela reinava às vezes lutava para encontrar seu lugar em uma nova ordem mundial e sua própria família muitas vezes entrava em conflito com as expectativas do público, a própria rainha permaneceu um símbolo de estabilidade. Ela também tentou transcender as barreiras de classe e conquistou o respeito relutante até mesmo de republicanos endurecidos.

Para grande parte do mundo, ela era a personificação da Grã-Bretanha, mas continuava sendo um enigma como indivíduo, nunca dando uma entrevista e raramente expressando emoção ou oferecendo uma opinião pessoal em público – uma mulher reconhecida por milhões, mas conhecida por quase ninguém.

“Acho que ela trouxe vida, energia e paixão ao trabalho, ela conseguiu modernizar e evoluir a monarquia como nenhuma outra”, disse seu neto, o príncipe William, que agora é o herdeiro do trono, em um documentário de televisão em 2012.

A JOVEM RAINHA

Elizabeth Alexandra Mary nasceu em 21 de abril de 1926 em 17 Bruton Street, no centro de Londres.

A jovem princesa nunca esperava ascender ao trono: foi somente depois que seu tio, o rei Eduardo VIII abdicou em 1936 por causa de seu amor pela americana divorciada Wallis Simpson, que a coroa passou para seu pai, George VI, quando ela tinha 10 anos.

Ela tinha apenas 25 anos quando seu pai morreu e ela se tornou a rainha Elizabeth II em 6 de fevereiro de 1952, enquanto estava em turnê no Quênia com seu marido, o príncipe Philip. Winston Churchill foi o primeiro dos 15 primeiros-ministros que serviram durante seu reinado.

“De certa forma, eu não tive um aprendizado, meu pai morreu muito jovem e foi um tipo muito repentino de assumir e fazer o melhor trabalho possível”, disse ela em um documentário de 1992.

“É uma questão de amadurecer em algo que se está acostumado a fazer e aceitar o fato de que aqui está você e é o seu destino. É um trabalho para a vida.”

Durante seus 70 anos no trono, a Grã-Bretanha passou por mudanças dramáticas.

Os austeros anos 1950 do pós-guerra deram lugar aos oscilantes anos 60, à liderança divisiva de Margaret Thatcher nos anos 80, à era do Novo Trabalhismo de Tony Blair, um retorno à austeridade econômica e depois à pandemia do COVID-19.

Governos trabalhistas e conservadores vieram e foram, o feminismo mudou as atitudes em relação às mulheres e a Grã-Bretanha tornou-se uma sociedade muito mais cosmopolita e multiétnica.

Elizabeth esteve no trono durante a maior parte da Guerra Fria desde a morte do líder soviético Josef Stalin. Durante seu reinado, houve 14 presidentes dos EUA, de Harry S. Truman a Joe Biden, e ela conheceu todos, exceto Lyndon Johnson.

A votação da Grã-Bretanha para deixar a União Europeia em 2016 expôs profundas divisões na sociedade britânica, enquanto os nacionalistas continuaram pressionando por um novo referendo sobre a independência da Escócia que teria o potencial de destruir o Reino Unido.

“À medida que procuramos novas respostas na era moderna, eu prefiro as receitas testadas e comprovadas, como falar bem uns dos outros e respeitar pontos de vista diferentes; unir-se para buscar o terreno comum; e nunca perder de vista o quadro maior”, disse a rainha antes de um referendo de 2014 sobre a secessão escocesa, no que parecia ser uma mensagem para os políticos. Os escoceses votaram para permanecer no Reino Unido.

MAIS IGUALITÁRIO

Com o tempo, a Grã-Bretanha evoluiu para uma sociedade mais igualitária, onde a classe dominante teve que abrir caminho para uma classe média florescente, onde os aristocratas não dominavam mais as melhores universidades e a maioria dos pares hereditários perdeu seus assentos na Câmara dos Lordes do parlamento.

No início, Elizabeth dependia muito do antigo círculo de conselheiros de seu pai, mas gradualmente ela trouxe mais diplomatas de carreira e executivos de negócios para a corte real, enquanto ela e seu marido Philip buscavam modernizar a monarquia.

“Ela é perspicaz, compassiva, tem muita perspicácia e tem as virtudes típicas e tradicionais que você associa aos britânicos”, disse o ex-primeiro-ministro John Major em meio às comemorações de seu 90º aniversário.

“Se você estivesse projetando alguém para ser monarca aqui na Grã-Bretanha, acho que projetaria alguém exatamente como Elizabeth II.”

Em 1992, a rainha respondeu às críticas sobre a riqueza real oferecendo-se para pagar imposto de renda e reduzindo o número de membros de sua família na folha de pagamento do estado.

Mas seus anos no trono muitas vezes não foram fáceis.

Ela passou grande parte do início de seu reinado dizendo adeus ao Império Britânico acumulado sob seus antepassados, do Quênia a Hong Kong. Barbados foi o país mais recente a dispensá-la como chefe de Estado em novembro de 2021.

No entanto, ela permaneceu a monarca de 15 países e chefe da Commonwealth.

Seu casamento com Philip, um príncipe grego com quem ela se casou aos 21 anos, permaneceu sólido por 73 anos até sua morte em abril de 2021, mas sua irmã, filha e dois de seus filhos não tiveram – muito publicamente – tanta sorte no amor.

Ela descreveu como um “annus horribilis” o 40º aniversário de sua ascensão em 1992, depois que três dos casamentos de seus quatro filhos fracassaram e houve um incêndio em sua residência no Castelo de Windsor.

A MORTE DA PRINCESA DIANA

A morte em 1997 da princesa Diana, a esposa divorciada do filho mais velho de Elizabeth, Charles, causou ainda mais danos ao prestígio público da família.

Foi a única ocasião durante seu reinado em que houve qualquer sugestão séria de que os dias da monarquia poderiam estar contados. O período foi capturado no filme vencedor do Oscar de 2006 “A Rainha”, quando Elizabeth foi retratada como séria, mas incompreendida.

Mas enquanto seus filhos e outros membros da realeza às vezes entravam e saíam das manchetes dos tablóides com problemas conjugais e indiscrições públicas, o próprio comportamento de Elizabeth permaneceu acima de qualquer reprovação.

“Não é que ela nunca tenha dado um passo errado, é mais positivo do que isso – ela entende o povo britânico”, disse o professor Vernon Bogdanor, especialista em história constitucional britânica.

A principal crítica feita contra ela foi que ela era muito solene, distante e distante.

Críticos disseram que a única vez que ela mostrou emoção real em público foi quando a realeza se despediu chorosa de seu magnífico iate Britannia, meses depois de sua resposta estóica à morte de Diana.

Mas de acordo com aqueles que trabalharam de perto com ela, em particular ela não era a figura pública desapegada que mais via, mas perspicaz, engraçada e profundamente ciente do humor da nação.

MENOS FORMALIDADE

Nos últimos 20 anos, apoiados por uma operação de mídia muito mais profissional e sofisticada, ainda havia pompa e pompa, mas menos formalidade em torno da rainha e sua família.

Milhões compareceram às comemorações para marcar seus 50, 60 e 70 anos no trono, enquanto seu papel de protagonista em um filme de James Bond se tornou o destaque da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres 2012.

Na curta sequência, ela cumprimentou o ator de Bond Daniel Craig no Palácio de Buckingham, proferindo apenas quatro palavras antes que os efeitos visuais a mostrassem aparentemente se juntando a ele em um helicóptero e saltando de paraquedas no estádio.

Uma década depois, no início de um concerto pop do Jubileu de Platina, ela novamente ganhou grandes aplausos por um esboço cômico pré-gravado com Paddington Bear, no qual ela disse ao famoso personagem fictício que sempre guardava seu lanche favorito – um sanduíche de marmelada – em sua bolsa sempre presente.

Dizia-se que a rainha fazia piadas com os líderes mundiais, desfrutava de uma familiaridade fácil com os chefes de governo da Commonwealth há muito tempo e adorava apostar em cavalos de corrida. A corrida era uma paixão duradoura.

Ela também foi acompanhada durante a maior parte de seu reinado por seus cães corgi, que ganharam a reputação de morder os calcanhares dos retentores reais e eram descendentes da cadela chamada Susan, que ela recebeu como presente de aniversário de 18 anos de seus pais.

“O que realmente sabemos sobre a rainha é notavelmente pouco”, disse Matthew Dennison, biógrafo de Elizabeth.

“Sabemos que ela gosta de corridas. Sabemos que ela gosta de corgis. Sabemos que ela prefere cobertores e lençóis a edredons. Mas, além disso, não sabemos quase nada sobre ela.”

Durante a Segunda Guerra Mundial, ela aprendeu a ser motorista e mecânica enquanto servia no Serviço Territorial Auxiliar feminino.

Seu amor pelo ar livre e pelos animais foi bem documentado e comentaristas disseram que ela se sentia mais à vontade em tweeds do que em tiaras.

“Eu prefiro invejar algumas das horas que tenho que fazer em vez de estar ao ar livre”, disse ela uma vez.

A esposa do príncipe William, Kate, disse que, a portas fechadas, a rainha evitou a pompa real.

“Você esperaria muita grandeza e muito barulho… mas, na verdade, o que realmente ressoa em mim é o amor dela por coisas simples, a falta de barulho e acho que é uma qualidade especial de se ter”, disse Kate em um documentário de TV. para marcar o aniversário de 90 anos de Elizabeth.

COROAÇÃO

Elizabeth tornou-se rainha em 1952 e foi coroada em 2 de junho de 1953 em uma cerimônia televisionada na Abadia de Westminster, tornando-se a primeira rainha por direito próprio desde a rainha Vitória e a 40ª monarca em uma linhagem real que remonta a William, o Conquistador, em 1066.

“Horrível”, disse ela sobre o passeio de carruagem que a levou do Palácio de Buckingham à Abadia. “Só é feito de couro, não é muito confortável.”

Em setembro de 2015, ela ultrapassou Victoria para se tornar a monarca que mais tempo reinou no país, uma conquista à qual ela disse nunca ter aspirado, e no ano seguinte houve mais comemorações por seu 90º aniversário.

Ela ascendeu ao trono com a mesma idade de Elizabeth I, mas enquanto a primeira Elizabeth viu seu país atingir o status de uma importante nação comercial no século 16, seu homônimo presidiu uma Grã-Bretanha escorregando de sua posição como líder mundial na indústria e tecnologia.

À medida que o lugar da Grã-Bretanha mudou, a rainha passou a representar a unidade e a pompa em torno de sua família – com carruagens douradas e casamentos reais espetaculares – uma fonte de orgulho nacional para muitos.

O casamento do príncipe William em 2011 com a plebeia Kate Middleton, que viu mais de um milhão de pessoas lotando as ruas de Londres e atraiu cerca de dois bilhões de telespectadores globais, foi uma prova disso.

Pesquisas de opinião mostraram que o país ainda acredita amplamente no monarca hereditário como chefe de Estado.

No entanto, com sua morte, o futuro da monarquia deve enfrentar escrutínio como nunca antes. Alguns comentaristas dizem que o público britânico não se sentirá tão forte em relação a Charles, e as pesquisas sugerem que ele é muito menos popular.

A decisão do príncipe Harry, irmão mais novo de William, e sua esposa americana Meghan, uma ex-atriz, de desistir de seus papéis reais também roubou a instituição de duas de suas figuras globais mais populares, enquanto suas acusações de racismo contra a instituição persistem.

O processo civil de abuso sexual dos EUA contra o segundo filho, o príncipe Andrew, que ele pagou para resolver, também infligiu danos à reputação da família. Andrew não admitiu qualquer irregularidade no caso. Ele não foi acusado de irregularidades criminais.

VIDA FAMILIAR E DEVER PÚBLICO

Ao seu lado durante quase todo o seu reinado estava seu marido, a quem ela creditava ser sua “força e permanência”.

“Fui abençoada por ter no príncipe Philip um parceiro disposto a desempenhar o papel de consorte e desinteressadamente fazer os sacrifícios que o acompanham”, disse ela em fevereiro de 2022, quando completou 70 anos no trono.

O casal teve quatro filhos: Charles nascido em 1948, Anne em 1950, Andrew em 1960 e Edward em 1964.

Teve oito netos e 12 bisnetos.

Durante grande parte de seu reinado, ela foi muitas vezes ofuscada por três mulheres extravagantes – sua mãe popular, Elizabeth, a rainha-mãe, sua irmã mais nova Margaret e mais tarde a princesa Diana.

Mas a tristeza pessoal de perder sua mãe e irmã – que morreram com poucas semanas de diferença em seu ano de Jubileu de Ouro de 2002 – ajudou a rainha a estabelecer sua própria posição, deixando-a a figura matriarcal indiscutível da nação.

Sua vida profissional inclui milhares de compromissos oficiais, variando de viagens a escolas e hospitais, a grandes cerimônias de visitas de estado e ocasiões nacionais.

Ela era famosa por usar roupas coloridas com um chapéu combinando em compromissos reais, para garantir que ela se destacasse da multidão em suas muitas “caminhadas”.

“Eu tenho que ser vista para ser acreditada”, ela teria brincado.

Ela também levou muito a sério seus deveres religiosos como Governadora Suprema da Igreja da Inglaterra, dizendo em 2012 que a Igreja estabelecida era “comumente subestimada”.

Ela viajou mais longe do que qualquer monarca anterior, realizando mais de 250 visitas ao exterior para mais de 100 países. Ela era conhecida por sua resistência e começou a cortar um cronograma antes agitado de turnês estrangeiras apenas quando chegou aos 80 anos.

Mesmo em seus 90 anos, ela realizava regularmente compromissos. Em um desses eventos, aos 93 anos, ela disse às autoridades que ainda era capaz de plantar uma árvore antes de colocar o solo no buraco, e foram mais dois anos depois disso antes que ela precisasse usar uma bengala em público.

Quando ela foi hospitalizada em março de 2013 com sintomas de gastroenterite, foi a primeira vez que precisou de tratamento hospitalar em uma década.

Não foi até outubro de 2021 que ela passou uma noite no hospital e continuou obstinadamente com tarefas leves, mesmo depois de testar positivo para COVID em fevereiro do ano seguinte.

Sua importância duradoura foi demonstrada no início da pandemia em 2020. Com uma nação ansiosa sob um bloqueio rigoroso, o governo recorreu à rainha para tranquilizá-la em uma transmissão televisionada. Normalmente, ela dava esses discursos apenas em sua transmissão anual de Natal.

A rainha teve alguns sustos de segurança notáveis. Em 1981, um jovem britânico disparou tiros de festim perto dela durante a cerimônia militar Trooping the Colour. Seu cavalo estremeceu, mas ela saiu ilesa.

No mesmo ano, um adolescente “severamente perturbado” tentou assassinar a monarca enquanto ela estava em uma visita à Nova Zelândia, mas ele errou com seu tiro de rifle.

Em julho de 1982, um trabalhador desempregado chamado Michael Fagan entrou em seu quarto no Palácio de Buckingham. Ele falou brevemente com Elizabeth, que estava de pijama, antes de ser levada pelos seguranças.

O FUTURO

“Foi dito que ‘a arte do progresso é preservar a ordem em meio à mudança e mudar em meio à ordem’, e nisso a rainha é incomparável”, disse o então primeiro-ministro David Cameron em um discurso ao parlamento em 2012.

“Ela nunca fechou a porta para o futuro; em vez disso, ela abriu o caminho através dele.”

A família da rainha e a elite política da Grã-Bretanha falaram com admiração por sua capacidade de se adaptar sem perder a dignidade de seu papel.

O sucesso futuro da monarquia pode depender de quanto os britânicos admiram a próxima pessoa no trono.

“A monarquia é tão boa quanto as pessoas que fazem o trabalho”, disse o biógrafo real Robert Lacey, que foi consultor histórico do drama da Netflix “The Crown”.

“Somos essencialmente, quando você olha para a estrutura e para a forma como o país funciona, uma república com esta bugiganga gloriosa que todos nós apreciamos no topo. E sempre podemos desatarraxar a bugiganga quando quisermos.”

A própria Elizabeth estabeleceu o objetivo de sua vida em tenra idade.

“Declaro diante de todos vocês”, disse ela em uma transmissão de aniversário de 21 anos, “que toda a minha vida, seja longa ou curta, será dedicada ao seu serviço e ao serviço de nossa grande família imperial”. Via Reuters

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Copom deve fazer novo corte de 0,5 ponto, prevê mercado

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Mercado prevê novo corte na taxa de juros, apesar de incertezas

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidirá nesta quarta-feira (31) a nova taxa de juros. Tudo indica que o órgão deve manter o comportamento registrado desde agosto: um corte de meio ponto percentual, levando a Selic de 11,75% para 11,25% ao ano.

No cenário interno, o câmbio permanece comportado e estável há alguns meses, oscilando em torno de R$ 4,90. No entanto, analistas econômicos destacam algumas preocupações. Uma delas é em relação à inflação. Os núcleos do IPCA estão um pouco acima da meta de 3% para o ano, com os preços dos serviços aumentando mais. Apesar de o IPCA-15 de janeiro ter vindo abaixo do esperado, economistas da XP Investimentos alertam para essa situação mais delicada.

Outra fonte de preocupação é a manutenção do aquecimento da economia. Dados de vendas no varejo e de serviços surpreenderam positivamente em novembro. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) interrompeu uma sequência de três meses seguidos de queda e ficou praticamente estável. A XP Investimentos destaca a aceleração dos salários reais nos últimos meses de 2023, indicando um mercado de trabalho aquecido.

Segundo o estrategista-chefe da Warren Investimentos, Sérgio Goldenstein, persistem as incertezas em relação à arrecadação do governo e à execução da política fiscal.

A dificuldade do governo em reduzir os benefícios tributários sobre a folha de pagamento, que podem comprometer as metas orçamentárias, e o anúncio de uma “nova política industrial” reforçam o viés expansionista das despesas fiscais e parafiscais, destaca a XP.

Goldenstein aponta que os efeitos negativos para o processo de flexibilização monetária poderiam vir da elevação da taxa neutra de juros (que não exerce influência na inflação), do volume de crédito subsidiado e dos potenciais impactos expansionistas sobre a demanda agregada.

No entanto, tudo isso é insuficiente para o comitê reduzir o ritmo dos cortes para 0,25 ponto percentual. O estrategista da Warren argumenta que a Selic ainda está em um nível bem contracionista, não há desancoragem adicional das expectativas de inflação para 2025 e 2026 e há a expectativa de arrefecimento da atividade econômica.

O Itaú também avalia que o Copom deve manter o ritmo do
corte em meio ponto percentual, especialmente em um cenário com incerteza acima
do usual. Os economistas da instituição financeira estimam que a Selic está
ainda distante de seu nível terminal, estimado em 9% ao ano.

Cenário internacional também apresenta incerteza

No cenário externo, as taxas de juro de longo prazo nos
mercados desenvolvidos estão próximas aos níveis observados na reunião
anterior, apesar da volatilidade mais forte. Os preços das commodities
recuaram, mas as cotações do petróleo estão um pouco acima dos níveis de
dezembro, aponta a XP Investimentos.

Uma fonte de preocupação vem do aumento das tensões
geopolíticas, com o ataque dos houthis, do Iêmen, a embarcações no Mar
Vermelho. O temor é que, se o problema perdurar, o efeito sobre os preços do
frete marítimo poderá reverter a tendência global de desinflação de custos, um
efeito fundamental por trás da melhora recente nas perspectivas de inflação de
muitos países.

Uma alternativa encontrada por operadores logísticos e companhias de navegação é desviar o tráfego marítimo pelo sul da África, o que ocasiona atrasos nas entregas e aumenta os custos com o frete, já que a distância percorrida é maior.

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Gasolina, diesel e gás de cozinha sobem na quinta com aumento de ICMS

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Gasolina, diesel e gás de cozinha sobem na quinta-feira com aumento de ICMS

Os preços da gasolina, do óleo diesel e do gás de cozinha vão subir nesta quinta-feira (1.º) com o aumento da alíquota do ICMS sobre os combustíveis em todo o país. O reajuste foi aprovado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que reúne os secretários estaduais da Fazenda, em outubro do ano passado.

No caso da gasolina, o imposto subirá R$ 0,15 por litro, de R$ 1,22 para R$ 1,37. Na semana passada, o preço médio do combustível levantado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) em todo o Brasil era de R$ 5,56 por litro, o que significa que o aumento, para R$ 5,71, representaria uma alta de 2,69% sobre o valor atual.

O combustível pode ficar ainda mais caro diante da elevação do preço do etanol na cadeia produtora, alerta o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lojas de Conveniências do Estado do Paraná (Paranapetro).

Nos últimos 30 dias, o etanol anidro teve alta acumulada de 9,35% nas usinas, de acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP).

Além do efeito no preço do etanol em si, essa alta impacta
também no preço da gasolina comum, devido à adição obrigatória de 27% da
formulação anidra do derivado da cana.

Diesel e biodiesel, por sua vez, passarão a recolher R$ 1,06 por litro a partir de fevereiro, ante R$ 0,94 cobrados atualmente. Com isso, a tendência é que o preço médio do diesel S10 volte a superar os R$ 6, uma vez que o valor médio atual do produto em todo o Brasil é de R$ 5,91 por litro.

No caso do GLP, o imposto subirá de R$ 1,26 para R$ 1,41 por quilograma – R$ 0,16 de alta. Considerando o preço médio de R$ 100,98 do botijão de 13 kg, segundo a pesquisa da ANP referente à semana passada, o valor em todo o Brasil deve passar a girar em torno de R$ 103,06, um aumento de 2,05%.

O aumento no ICMS sobre a gasolina é o primeiro desde que a
alíquota passou a ser uniforme em todos os estados e fixada em reais por litro,
em junho do ano passado. Até então, o imposto variava conforme a unidade da
federação e correspondia a um percentual do valor de venda da gasolina – o que
significa que, a cada aumento de preço do combustível, o valor absoluto do
imposto (em reais) também subia.

A alíquota única foi vista como um avanço em termos de transparência e estabilidade do imposto. Por outro lado, provocou um aumento na tributação já na primeira vez em que foi fixada. Reportagem da Gazeta do Povo mostrou que, quando entrou em vigor, o novo ICMS único era mais alto que o praticado em 24 das 27 unidades da federação.

No caso do diesel e do biodiesel, será o segundo aumento de imposto neste ano. No dia 1.º de janeiro, voltaram a incidir as alíquotas cheias de PIS e Cofins sobre os combustíveis, que haviam sido zeradas em março de 2022, quando o então presidente Jair Bolsonaro (PL) decidiu abrir mão dos tributos para conter a alta no setor às vésperas da campanha eleitoral.

O aumento do imposto na virada do ano, de cerca de R$ 0,33 por litro, no entanto, foi compensado quase na íntegra, por um corte de R$ 0,30 no preço do diesel anunciado pela Petrobras no dia 27 de dezembro.

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Dinheiro do BNDES para indústria reacende temores

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Ao anunciar seu programa de estímulo à indústria, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu cerca de R$ 300 bilhões para o setor até 2026. A maior parte desse valor, cerca de R$ 250 bilhões, virá de financiamentos e outros aportes do BNDES.

Batizado de Nova Indústria Brasil, o programa foi saudado pelo empresariado do setor – que, no entanto, cobrou mais recursos – e recebido com muitas reservas pelo mercado financeiro e economistas liberais.

O temor é de que o governo ressuscite velhos “fantasmas” de gestões anteriores do PT, como a famigerada política das empresas campeãs nacionais, que consumiu centenas de bilhões de reais – de dinheiro do contribuinte – em benefício de empresas escolhidas a dedo.

A maior preocupação foi com a possibilidade de que o Tesouro voltasse a repassar dinheiro do contribuinte para o BNDES apoiar empresas com juros abaixo de mercado. Também chamou atenção o anúncio do presidente do banco, Aloizio Mercadante, de que a instituição terá R$ 8 bilhões para “equity”, ou seja, participação acionária em empresas.

A declaração deu a entender que o BNDES voltaria a comprar ações e ser sócio de empresas, prática controversa de tempos passados que foi revertida em grande parte durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

As ações que o BNDES detém em empresas privadas são usadas pelo governo para tentar influenciar seus rumos e também para acomodar aliados em conselhos de administração. No ano passado, chamou atenção a indicação dos ministros Anielle Franco, da Igualdade Racial, e Carlos Lupi, da Previdência, para o conselho da metalúrgica Tupy. Após o episódio, o banco admitiu que pretendia “maximizar” sua participação nas empresas.

Ao falar dos R$ 8 bilhões destinados a participações acionárias, Mercadante salientou o objetivo de investir empresas da cadeia de veículos elétricos. “Temos 8 bi de equity, que nós queremos investir em empresas. Crédito é namoro, equity é casamento. São setores muito importantes, por exemplo, esse segmento de minerais críticos fundamentais para o futuro de baterias e toda mobilidade elétrica”, disse Mercadante em 22 de janeiro, dia do anúncio do programa.

“Já estamos com cinco fábricas de ônibus no Brasil, produzindo ônibus elétrico. O Brasil tem a sétima reserva de lítio do mundo. E nós queremos ter controle e presença estratégica nesse segmento”, afirmou o presidente do banco estatal, segundo registro do site EPBR. “Esse é um setor que o BNDES quer entrar com equity”, acrescentou. Em um comunicado do governo, esses R$ 8 bilhões foram incluídos em eixos chamados “inovação” e “descarbonização”.

Após a repercussão negativa dos primeiros anúncios, integrantes do governo correram para fazer esclarecimentos. Eles negaram que o Tesouro voltará a financiar o BNDES. Disseram também que a participação acionária do banco em empresas não será direta, e sim por meio de fundos de investimento – em total contraste com a afirmação inicial de Mercadante de que o governo almejava “controle e presença estratégica” no segmento de veículos elétricos.

“Não tem nada a ver com questão fiscal. O governo não vai fazer nenhum aporte de dinheiro para o BNDES, não vai colocar recurso a mais no BNDES”, disse o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin (PSB).

Mercadante, por sua vez, afirmou no Jornal Nacional, da TV Globo, que o BNDES vai atuar em equity via fundos no mercado de capitais, e não via compra direta de ações.

“O volume de recursos que está destinado para os próximos três anos são R$ 8 bilhões. É um valor bastante pequeno. Mas ele vai ser feito de que forma? Através de editais públicos, com esses fundos privados, gestores privados, onde o BNDES participa com no máximo 25% para atingir alguns nichos que banco não tem condições de fazer, que os bancos privados também não”, disse Mercadante.

“Tem que ser agentes privados, bancos privados, e vamos procurar e apoiar essas empresas. A discussão não é mais se tem que ter ou não. É como fazer. Aprender com os erros do passado e fazer melhor para gente recuperar nossa indústria”, completou.

O diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do banco estatal, José Luis Gordon, deu mais detalhes em entrevistas a jornais.

“Você não vai escolher uma empresa A, B ou C; você vai investir em empresas junto com o mercado em fundos que poderão ser gerenciados por privados, como BTG, Pátria, Genial, por exemplo. Então, você vai junto com o mercado de capitais para investir em startups, pequenas empresas que possam desenvolver tecnologias e produtos importantes em áreas estratégicas”, afirmou Gordon ao “Estado de S. Paulo”.

Segundo ele, não haverá aporte do Tesouro Nacional no BNDES, nem equalização de taxas de juros (ou seja, subsídios bancados pelo contribuinte), e o BNDES fará escolha das empresas em conjunto com bancos e gestoras. O primeiro fundo em desenvolvimento, disse, é dos chamatos “minerais críticos” – fundamentais para veículos elétricos, por exemplo.

Passado recente do BNDES deixa mercado ressabiado

Alessandra Ribeiro, economista e sócia da Tendências Consultoria, considera que o anúncio da nova política industrial teve efeito ruim sobre os mercados porque, ainda que tenha pontos meritórios, não ficou claro como o programa será implementado.

“Dados os erros do passado [das gestões anteriores do PT], acho que esta é a principal crítica. No passado, o dinheiro veio do Tesouro e não vimos benefícios para a sociedade, apenas para empresas. Depois veio o inchaço e a crise fiscal. Com isso, o mercado fica supersensível. Outro ponto é como o BDNES vai selecionar as empresas que vai investir?”, questiona.

A questão da participação societária em empresas é ainda mais crítica, uma vez que poderia aumentar a ingerência política do governo sobre o setor privado.

Sobre os setores que vão receber os aportes, a economista entende que há diferentes situações. No caso da bioenergia, onde o Brasil está desenvolvido, ela acredita que a atuação do BNDES pode servir de um bom impulso caso a agenda seja bem desenhada.

No caso dos veículos elétricos, porém, ela alerta para o retorno do investimento.

“Tenho muita dúvida se algum tipo de benefício [do BNDES] para produzir carros elétricos no Brasil vai efetivamente gerar renda, emprego e atividade econômica que sejam positivas. Primeiro, porque o investimento geralmente não se paga, nem de longe. Segundo, porque não somos produtores, e é para atrair estrangeiros. O ideal seria investir onde tem mais retorno”, diz.

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FMI eleva projeções para o Brasil

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FMI eleva previsão de crescimento do Brasil para 2024


Pierre Olivier-Gourinchas, economista-chefe do FMI: ritmo de expansão da economia permanece lento| Foto: EFE/Mohamed Sial

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um crescimento de 1,7% na economia brasileira em 2024, representando um aumento de 0,2 ponto percentual em relação à projeção divulgada em outubro de 2023. Para 2025, a expectativa é de uma expansão de 1,9% no PIB.

O otimismo do órgão em relação à perspectiva econômica do
Brasil é justificado por vários fatores:

  • Aquecimento da demanda interna: As expectativas melhores são impulsionadas pela manutenção, em níveis elevados, da demanda agregada
  • Crescimento acima do esperado dos principais parceiros comerciais: O Brasil se beneficia do crescimento mais robusto de parceiros comerciais essenciais, como a China.
  • Antecipação à tendência mundial de corte nas taxas de juro: Ao lado do Chile, o Brasil está à frente na adoção da tendência global de redução das taxas de juro.

O relatório do FMI destaca também a notável resiliência do
mercado mundial diante de desafios significativos, como a pandemia da Covid-19,
a guerra entre Rússia e Ucrânia e a inflação global mais elevada.

Além disso, a projeção para o crescimento global em 2024 foi revisada para cima, passando de 2,9% para 3,1%. Este cenário sugere uma recuperação robusta da economia global, indicando a capacidade do mercado em superar adversidades recentes.

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Mercado reduz para 3,81% previsão para inflação de 2024 

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A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – teve redução, passando de 3,86% para 3,81% este ano.

A estimativa está no Boletim Focus desta terça-feira (30), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.  

Para os próximos anos – 2025, 2026 e 2027, a projeção da inflação permaneceu em 3,5%.  

A estimativa para 2024 está dentro do intervalo da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3% para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.  

Para 2025 e 2026, as metas de inflação estão fixadas em 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.   

Em dezembro de 2023, a inflação do país foi de 0,56%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, o IPCA fechou o ano passado com alta acumulada de 4,62%. 

Juros básicos  

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros – a Selic – definida em 11,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Após sucessivas quedas no fim do primeiro semestre de 2023, a inflação voltou a subir na segunda metade do ano, mas essa alta era esperada por economistas. 

O comportamento dos preços fez o BC cortar os juros quatro vezes no semestre passado, em todas as reuniões do Copom. Em ata divulgada, o colegiado informou que continuará a promover novos cortes de 0,5 ponto nas próximas reuniões, mas não detalhou quando vai parar de reduzir a taxa Selic. Segundo o BC, o momento dependerá do comportamento da inflação no primeiro semestre de 2024.   

Reunião do Copom

Para o mercado financeiro, a Selic deve encerrar 2024 em 9% ao ano. A primeira reunião do Copom neste ano ocorre em hoje (30) e amanhã (31) e os analistas esperam que a Selic seja reduzida a 11,25%. Para o fim de 2025, 2026 e 2027, a previsão é de Selic em 8,5% ao ano. 

De março de 2021 a agosto de 2022, o Copom elevou a Selic por 12 vezes consecutivas, num ciclo de aperto monetário que começou em meio à alta dos preços de alimentos, energia e combustíveis. Por um ano, até agosto de 2023, a taxa foi mantida em 13,75% ao ano.  

Antes do início do ciclo de alta, a Selic tinha sido reduzida para 2% ao ano, no nível mais baixo da série histórica iniciada em 1986. Por causa da contração econômica gerada pela pandemia de covid-19, o Banco Central tinha derrubado a taxa para estimular a produção e o consumo. A taxa ficou no menor patamar da história de agosto de 2020 a março de 2021.  

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. 

Quando o Copom diminui a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica. 

PIB e câmbio  

A projeção das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira neste ano permaneceu em 1,6%.  Para 2025, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – é de crescimento de 2%. Para 2026 e 2027, o mercado financeiro projeta expansão do PIB também em 2%, para os dois anos. 

Superando as projeções, no terceiro trimestre do ano passado a economia brasileira cresceu 0,1%, na comparação com o segundo trimestre de 2023, de acordo com o IBGE. Entre janeiro e setembro, a alta acumulada foi de 3,2%.  

Com o resultado, o PIB está novamente no maior patamar da série histórica, ficando 7,2% acima do nível de antes da pandemia, registrado nos três últimos meses de 2019. Os dados do quarto trimestre de 2023, com o consolidado do ano, será divulgado pelo IBGE em 1º de março.  

A previsão de cotação do dólar está em R$ 4,92 para o fim deste ano. No fim de 2025, a previsão é que a moeda americana fique em R$ 5. 

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Celebridade

Haddad diz que parte do rombo de R$ 230 bilhões foi herdada de Bolsonaro

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O ministro Fernando Haddad, da Fazenda, disse na
noite desta segunda (29) que o déficit de R$ 230 bilhões do governo federal em
2023 é, em parte, resultado de despesas não pagas pelo governo Bolsonaro em
2022, incluindo precatórios e indenizações a estados e municípios pela redução
do ICMS.

O governo encerrou o ano de 2023 com um déficit primário de R$ 230 bilhões, sendo R$ 92,4 bilhões destinados ao pagamento de precatórios não quitados em anos anteriores. Desconsiderando essa despesa, o resultado foi negativo em R$ 138,1 bilhões (-1,3% do PIB).

“Haddad chamou os valores postergados de
‘calote’. ‘Dos R$ 230 bilhões [de déficit], praticamente a metade é pagamento
de dívida do governo anterior que poderia ser prorrogada para 2027 e nós
achamos que não era justo quem quer que fosse o presidente”, destacou o
ministro.

Haddad ressaltou que cerca de metade desse montante corresponde a pagamentos atrasados que foram feitos por decisão de sua pasta, buscando retirar esse passivo das estatísticas.

O ministro enfatizou que, apesar do número negativo, houve compreensão do mercado financeiro sobre a natureza da piora do resultado, devido ao pagamento de despesas atrasadas.

“O déficit real (descontando pagamentos em
atraso) se aproximou muito do número que eu havia anunciado no dia 12 de
janeiro de 2023, que era déficit de 1% do PIB. Valeu a pena fazer o esforço e
tomar essas decisões, que foram posteriores ao anúncio de 12 de janeiro, mas
que encontram respaldo em boas práticas tanto do ponto de vista econômico
quanto constitucional”, afirmou Haddad.

Os precatórios representam despesas decorrentes de decisões judiciais nas quais o governo não pode mais recorrer. Uma emenda constitucional em 2021 limitou o pagamento dessas despesas, mas o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) optou por quitar esse estoque, com aval do Supremo Tribunal Federal (STF).

Além disso, houve o desembolso de R$ 14,8
bilhões a estados e municípios como compensação pela redução do ICMS. Em 2025,
o governo ainda terá que pagar mais R$ 4,5 bilhões, totalizando R$ 27 bilhões.

Haddad afirma que a decisão do governo federal que tomada em 2022 prejudicou os governadores com uma desoneração não aprovada em suas assembleias de ICMS, resultando na perda estimada de R$ 80 bilhões de arrecadação. “Fizemos um acordo de R$ 27 bilhões para, pelo menos, atenuar o drama dos governadores”, concluiu o ministro.

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