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Dólar cai com inflação no Brasil e EUA no radar
O dólar fechou em queda de 1,02% nesta sexta-feira (10), cotado a R$ 5,0112, e ficou próximo da marca de R$ 5 pela primeira vez em dois anos. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 1,12%, aos 197.324 pontos, atingindo um novo recorde.
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▶️ O mercado ficou de olho nos preparativos dos Estados Unidos e do Irã para as negociações de paz previstas para começar amanhã. As conversas ocorrem após um cessar-fogo anunciado na terça-feira (7), que prevê uma pausa de duas semanas nos ataques de EUA e Israel, em troca do compromisso do Irã de reabrir o Estreito de Ormuz.
▶️ Apesar da trégua, o acordo tem mostrado fragilidades, com registros de violações e a manutenção de um fechamento “de fato” de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Com isso, os preços da commodity oscilaram.
🛢️ Por volta das 16h (horário de Brasília), o Brent recuava 1,46%, negociado a US$ 94,48 por barril, enquanto o WTI caía 1,67%, para US$ 96,23.
▶️ No Brasil, o destaque foi a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), pelo IBGE. O indicador subiu 0,88% em março e acumula alta de 4,14% em 12 meses. A expectativa do mercado era de avanço de 0,7% no mês e de inflação de 4% no acumulado anual.
▶️ Nos EUA, investidores acompanharam novos dados sobre preços e confiança do consumidor em março. O índice de preços ao consumidor subiu 0,9% no mês, após alta de 0,3% em fevereiro, e avançou 3,3% em 12 meses — em linha com a expectativa dos economistas.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -2,87%;
Acumulado do mês: -3,23%;
Acumulado do ano: -8,70%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +4,93%;
Acumulado do mês: +5,26%;
Acumulado do ano: +22,47%.
Negociações de cessar-fogo
Mesmo em meio a um cessar-fogo cambaleante, integrantes do alto escalão dos governos dos EUA e do Irã sentarão à mesa para começar a travar negociações pelo fim definitivo da guerra.
As negociações estão previstas para começar de forma oficial no sábado (11), com os integrantes das duas partes.
Do lado dos EUA, estarão:
O vice-presidente norte-americano, JD Vance;
O enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff;
O conselheiro e genro de Trump Jared Kushner.
Já do lado iraniano, participarão das tratativas:
O chanceler do Irã, Abbas Araghchi;
O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
As conversas ocorrerão em um hotel de luxo em Islamabad, a capital do Paquistão, país que media o diálogo entre EUA e Irã. E começarão já em meio à guerra de versões sobre o cessar-fogo, o passo inicial para o sucesso das conversas.
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Nesta sexta-feira, Trump afirmou que o exército americano está “carregando os navios com as melhores munições” diante da possibilidade de fracasso nas negociações de paz com o Irã.
Na véspera, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, disse que o Estreito de Ormuz permanece aberto à navegação, mas com restrições de passagem.
Segundo ele, há risco de minas navais na região, e o tráfego marítimo está sendo coordenado pela Guarda Revolucionária iraniana.
Agenda econômica
IPCA de março
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, subiu 0,88% em março, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,14%.
O resultado ficou acima da expectativa de economistas, que projetavam alta de 0,7% no mês e 4% no acumulado anual. Em março de 2025, o índice havia avançado 0,56%.
🎯 Apesar da surpresa, a inflação ainda permanece dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para 2026, o objetivo é manter o IPCA em 3%, com limite máximo de 4,5%.
Entre os grupos pesquisados pelo IBGE, Transportes foi o que mais pressionou o índice em março, com alta de 1,64%. O principal motivo foi o aumento dos combustíveis, que subiram 4,59% no período.
Confiança do consumidor dos EUA
A confiança do consumidor nos EUA caiu no início de abril e atingiu o menor nível já registrado, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira. O resultado reflete uma percepção mais negativa das famílias sobre a economia e uma expectativa de aumento da inflação nos próximos meses.
De acordo com a Universidade de Michigan, o índice recuou para 47,6 neste mês, após marcar 53,3 em março. O número ficou abaixo da previsão de economistas, que esperavam uma leitura de 52.
A queda foi observada entre diferentes perfis de consumidores, incluindo faixas de renda, idade e posicionamento político.
A pesquisa ressalta, no entanto, que a maior parte das respostas foi coletada antes do anúncio de um cessar-fogo nesta semana na guerra envolvendo EUA, Israel e Irã.
O conflito contribuiu para a alta dos preços do petróleo, que já acumulam aumento superior a 30%. Nos EUA, o preço médio da gasolina passou de US$ 4 por galão pela primeira vez em mais de três anos.
Segundo Joanne Hsu, diretora da pesquisa, muitos consumidores associam a piora na percepção econômica ao conflito com o Irã, o que ajuda a explicar o avanço das expectativas de inflação.
A pesquisa mostra que a expectativa de inflação para os próximos 12 meses subiu de 3,8% em março para 4,8% em abril. Já a projeção para um período mais longo, de cinco anos, passou de 3,2% para 3,4%.
Mercados globais
Em Wall Street, as bolsas fecharam sem direção única após dados de inflação de março virem em linha com o esperado. O cenário também segue influenciado pela guerra envolvendo o Irã, enquanto investidores monitoram sinais de estabilidade no cessar-fogo.
O Dow Jones recuou 0,56%, aos 47.916,33 pontos, enquanto o S&P 500 teve perdas de 0,12%, aos 6.816,79 pontos. O Nasdaq, por sua vez, avançou 0,35%, aos 22.902,89 pontos.
Na Europa, os principais índices também fecharam sem direção única.
O índice STOXX 600 subiu 0,37%, aos 614,84 pontos, enquanto o CAC 40, da França, avançou 0,17%, aos 8.259,60 pontos. Na Alemanha, o DAX caiu 0,01% aos 23.803,95 pontos, e o FTSE 100, do Reino Unido, teve baixa de 0,03%, aos 10.600,53 pontos.
Já nas bolsas asiáticas, os mercados fecharam majoritariamente em alta.
Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 0,55%, aos 25.893 pontos. Em Xangai, o SSEC avançou 0,51%, aos 3.986 pontos, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, teve alta de 1,54%, aos 4.636 pontos.
No Japão, o Nikkei avançou 1,84%, aos 56.924 pontos. Já na Coreia do Sul, o Kospi registrou valorização de 1,40%, aos 5.858 pontos.
Notas de dólar.
Dado Ruvic/ Reuters