Arquivo de Tecnologia - DNEWS JORNAL https://dnews.com.br/category/noticias/tecnologia/ Notícias do Brasil e do Mundo Wed, 31 Dec 2025 20:24:48 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 170084987 O Salto Quântico: Como a Computação Quântica Está Reconfigurando o Futuro da Tecnologia https://dnews.com.br/o-salto-quantico-como-a-computacao-quantica-esta-reconfigurando-o-futuro-da-tecnologia/ https://dnews.com.br/o-salto-quantico-como-a-computacao-quantica-esta-reconfigurando-o-futuro-da-tecnologia/#respond Wed, 31 Dec 2025 20:15:13 +0000 https://dnews.com.br/?p=109360 Por Nardel Azuoz | 31 de Dezembro de 2025 Enquanto a Inteligência Artificial (IA) domina as manchetes e o Metaverso busca seu espaço, nos bastidores da ciência e da engenharia, uma revolução ainda mais fundamental se desenha: a computação quântica. Longe de ser ficção científica, essa tecnologia, que opera sob os princípios bizarros da mecânica […]

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Por Nardel Azuoz | 31 de Dezembro de 2025

Enquanto a Inteligência Artificial (IA) domina as manchetes e o Metaverso busca seu espaço, nos bastidores da ciência e da engenharia, uma revolução ainda mais fundamental se desenha: a computação quântica. Longe de ser ficção científica, essa tecnologia, que opera sob os princípios bizarros da mecânica quântica, está gradualmente saindo dos laboratórios para prometer um poder de processamento inimaginável, capaz de resolver problemas que os supercomputadores mais avançados de hoje levariam bilhões de anos para calcular.

Além do Binário: A Essência dos Qubits

A computação clássica, base de toda a tecnologia digital que conhecemos, opera com bits – unidades de informação que podem ser 0 ou 1. A computação quântica, por sua vez, introduz o conceito de qubits. Diferente dos bits, os qubits podem ser 0, 1 ou uma combinação de ambos simultaneamente, graças a um fenômeno quântico chamado superposição.

Imagine uma moeda girando no ar: ela não é cara nem coroa até cair. Um qubit é como essa moeda girando. Essa capacidade de existir em múltiplos estados ao mesmo tempo permite que os computadores quânticos processem uma vasta quantidade de informações de forma paralela, escalando exponencialmente seu poder a cada qubit adicionado.

Emaranhamento e Interferência: Os Truques Mágicos da Física Quântica

Outros pilares da computação quântica são o emaranhamento e a interferência. O emaranhamento permite que qubits fiquem intrinsecamente conectados, de modo que o estado de um afete instantaneamente o estado do outro, mesmo que estejam a quilômetros de distância. Já a interferência é usada para amplificar as probabilidades corretas e cancelar as erradas, direcionando o cálculo para a solução desejada.

Esses fenômenos, que desafiam nossa intuição clássica, são a chave para a velocidade e a capacidade de resolução dos computadores quânticos.

Aplicações Transformadoras: De Medicamentos a Criptografia Inviolável

As promessas da computação quântica são vastas e disruptivas:

  • Descoberta de Medicamentos e Materiais: Simular moléculas complexas em nível atômico, acelerando a criação de novos fármacos, fertilizantes e materiais com propriedades inovadoras.

  • Inteligência Artificial Avançada: Otimizar algoritmos de Machine Learning, permitindo IAs mais eficientes, capazes de processar dados com uma complexidade muito maior.

  • Criptografia Inviolável e Quebra de Criptografia Atual: Desenvolver sistemas de segurança quântica (post-quântica) virtualmente impenetráveis, mas também a capacidade de quebrar os sistemas de criptografia atuais em questão de minutos.

  • Otimização e Logística: Resolver problemas de otimização em larga escala, como rotas de entrega mais eficientes, gestão de tráfego aéreo e planejamento financeiro complexo.

  • Modelagem Climática: Criar modelos climáticos mais precisos, ajudando a prever e mitigar os impactos das mudanças ambientais.

Desafios e o Longo Caminho a Percorrer

Apesar do potencial, a computação quântica ainda enfrenta desafios monumentais. Os qubits são extremamente frágeis e sensíveis a interferências ambientais (ruído), o que leva à decoerência – a perda de seu estado quântico. Construir e manter esses sistemas em ambientes controlados (muitas vezes a temperaturas próximas do zero absoluto) é uma tarefa de engenharia hercúlea.

Grandes empresas como IBM, Google, Microsoft e startups ao redor do mundo estão investindo bilhões na pesquisa e desenvolvimento, construindo os primeiros protótipos e disponibilizando o acesso a computadores quânticos através da nuvem. Ainda estamos nos primórdios da “Era Quântica”, mas cada avanço nos aproxima de um futuro onde os limites da computação são redefinidos.

O Amanhã é Quântico

A computação quântica não substituirá os computadores clássicos, mas os complementará, atuando em tarefas específicas de extrema complexidade. À medida que entramos em 2026, a corrida quântica se intensifica, prometendo uma era de descobertas e inovações que moldarão fundamentalmente o século XXI. O salto quântico está apenas começando, e suas reverberações serão sentidas em cada aspecto de nossas vidas digitais e além.

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O Feudalismo Digital https://dnews.com.br/o-feudalismo-digital/ https://dnews.com.br/o-feudalismo-digital/#respond Wed, 26 Nov 2025 19:04:39 +0000 https://dnews.com.br/?p=104678   Por Dr. Marco Flávio Mastrandonakis Como Perdemos Nossa Atenção Sem Resistência Há um consenso silencioso que atravessa o mundo contemporâneo: estamos sempre distraídos. A sensação de estar permanentemente “puxado” por algo, seja uma notificação discreta, um som de alerta ou uma vibração no bolso, tornou-se parte da rotina humana. E, embora pareça apenas um […]

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Por Dr. Marco Flávio Mastrandonakis

Como Perdemos Nossa Atenção Sem Resistência

Há um consenso silencioso que atravessa o mundo contemporâneo: estamos sempre distraídos. A sensação de estar permanentemente “puxado” por algo, seja uma notificação discreta, um som de alerta ou uma vibração no bolso, tornou-se parte da rotina humana. E, embora pareça apenas um reflexo da vida conectada, essa dinâmica revela algo mais profundo: nossa atenção foi transformada em mercadoria. E estamos entregando esse recurso vital quase sem resistência.

O fenômeno é conhecido como economia da atenção. Ele não se limita ao universo digital, mas é nas telas onde ocorre com mais intensidade e eficiência. Se antes a publicidade disputava segundos de exposição, hoje disputa micropedacinhos de consciência. Cada gesto, clique, rolagem, pausa e hesitação é contabilizado, mapeado e transformado em dado. E cada dado revela algo sobre nós: medos, desejos, horários de maior vulnerabilidade, padrões de impulsividade.

A lógica é precisa e implacável. Plataformas não querem apenas que você veja algo. Querem que você permaneça nelas. Não vendem produtos; vendem previsibilidade. E quanto mais previsível você é, mais valioso se torna dentro desse sistema.

A transformação começou quando percebemos que navegar na internet deixava de ser escolha para se tornar reflexo. O cérebro humano, programado para buscar recompensas, encontrou nas redes sociais um suprimento infinito de pequenas doses de dopamina. Uma curtida aqui, uma mensagem ali, um vídeo recomendado acolá. Tudo arquitetado para manter a sensação de que há sempre algo novo, urgente, irresistível.

Esse ciclo de recompensa nunca é acidental. Ele é meticulosamente elaborado. Algoritmos estudam comportamentos com a mesma precisão com que laboratórios estudam moléculas. O objetivo é simples: prolongar o engajamento. E prolongar engajamento significa, em termos diretos, estender a captura de atenção.

Há quem argumente que isso é apenas o funcionamento natural de um mercado competitivo. Mas a verdade é que, quando o produto é a atenção humana, um recurso finito, biológico e emocional, a disputa se torna assimétrica. O usuário comum não está batalhando com empresas, está batalhando com estruturas inteiras de análise comportamental, psicologia aplicada e engenharia de interface.

O resultado é uma espécie de feudalismo digital. Se antes trabalhávamos horas para entregar força de trabalho a um sistema, hoje entregamos horas de atenção para alimentar plataformas que enriquecem com dados gerados pela própria interação. Nós somos o campo, a colheita e o trabalhador e tudo ao mesmo tempo.

Essa dinâmica tem efeitos profundos na maneira como pensamos, decidimos e existimos. A primeira consequência é a perda gradual da capacidade de concentração sustentada. Ler um livro, assistir a um filme sem alternar janelas, ou simplesmente permanecer em silêncio tornou-se desafiador para grande parte das pessoas. O cérebro, habituado à gratificação instantânea, estranha qualquer atividade que não ofereça pequenas recompensas constantes.

A segunda consequência é a formação de bolhas comportamentais. Não apenas bolhas de opinião, que já são preocupantes por si só, mas bolhas de hábitos, preferências e reações emocionais. A personalização extrema cria uma espécie de “mundo sob medida”, onde tudo é moldado para reforçar padrões existentes. Pouco espaço resta para o inesperado, o contraditório ou o realmente novo.

O terceiro efeito é o mais sutil e talvez, o mais grave: a erosão da autonomia. Quando plataformas antecipam desejos antes mesmo de eles serem formulados, começamos a confundir nossas escolhas com sugestões do sistema. Compramos o que nos sugerem, assistimos ao que recomendam, seguimos quem nos indicam. A ilusão de liberdade se torna confortável. Perigosamente conveniente.

E no entanto, ninguém acorda pela manhã dizendo: “Quero entregar minha atenção para ser manipulada o dia todo.” Tudo acontece de maneira gradual, silenciosa, difusa. Por isso é tão difícil identificar os pontos onde estamos cedendo mais do que gostaríamos.

É possível resistir? Sim. Mas exige consciência. E consciência exige desaceleração. Algo que a economia da atenção tenta evitar a todo custo.

O primeiro passo é reconhecer que tempo e atenção são recursos inseparáveis. Não existe “perdi apenas cinco minutos no celular”. Cinco minutos somados a cinco minutos, repetidos dezenas de vezes por dia, se tornam horas drenadas para dentro de sistemas que lucram com a nossa dispersão.

O segundo passo é estabelecer fronteiras digitais. Notificações silenciosas, períodos sem telas, rotinas de foco. O objetivo não é demonizar tecnologia, mas recuperar protagonismo. A tecnologia deve ser ferramenta e não a senhora de sua atenção.

O terceiro passo é resgatar práticas de profundidade: leitura sem interrupção, conversas inteiras, tarefas sequenciais, pausas reais. Essas atividades reeducam o cérebro para o ritmo humano, não para o ritmo da máquina.

A economia da atenção é poderosa, mas não é invencível. Seu ponto fraco é justamente aquilo que ela tenta sequestrar: a capacidade de reflexão. Pensar exige tempo, silêncio e intenção. Três elementos que plataformas não conseguem controlar totalmente.

Ao recuperar esses espaços, rompemos com a lógica de servidão digital. Voltamos a escolher em vez de reagir, a sentir em vez de apenas consumir, a existir com presença em vez de dispersão.

A economia da atenção faz tudo para nos manter distraídos.

Porque alguém distraído vê, mas não enxerga.

Clica, mas não decide.

Consome, mas não escolhe.

E é justamente por isso que, em um mundo que disputa cada segundo da nossa consciência, o ato mais subversivo que existe é prestar atenção no que realmente importa.

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