Ex-aliado de Chávez tem morte suspeita em prisão venezuelana

0
7

Parentes, ONU e entidades de direitos humanos questionam a versão oficial de que o ex-ministro da Defesa Raúl Baduel, o décimo preso político a morrer sob custódia do regime, tenha sido infectado por Covid. Raúl Baduel, ex-ministro no governo Chávez na Venezuela, em foto de 2008
Miguel Gutierrez/AFP
Não é de se estranhar que a morte do ex-ministro chavista Raúl Isaías Baduel, anunciada nas redes sociais pelo procurador-geral da Venezuela como vítima de Covid-19 em uma prisão militar, cause tanta desconfiança. Nos últimos seis anos, dez presos políticos morreram em circunstâncias misteriosas, sob a custódia do regime de Nicolás Maduro, de acordo com a ONG Foro Penal.
General reformado e ex-ministro da Defesa, Baduel, de 66 anos, era o prisioneiro de maior relevância, por ter sido um dos homens mais poderosos da Venezuela, até se desentender com Chávez, em 2007, e transformar-se em seu crítico contumaz. Foi condenado por crimes contra o decoro militar, abuso de poder e roubo de fundos das Forças Armadas.
Veja abaixo um vídeo de 2019 sobre Rafael Acosta Arévalo, um militar venezuelano morto dias depois de ser preso.
Militar preso pelo regime de Nicolás Maduro morre após ser torturado na Venezuela
Na esteira do desentendimento e das posteriores acusações, estava a reforma constitucional defendida por Chávez, que lhe garantiria a reeleição por tempo indeterminado. Baduel discordou dos rumos que a revolução bolivariana, da qual foi um dos mentores, tomou e foi castigado por isso. Amargou sete anos na prisão militar de Ramo Verde até ganhar, em 2015, liberdade condicional, sob restrições.
Imagem de 2015 mostra Raul Baduel, de camisa polo azul, saindo de sua casa
Pablo Ramos/Reuters
Dois anos depois, foi novamente preso por agentes de segurança do regime de Nicolás Maduro, que o acusou de conspiração e rebaixou-o das Forças Armadas. Daí a falecer por parada cardiorrespiratória, vítima de Covid-19, segundo a versão oficial, há um longo percurso de arbitrariedades que é questionado por familiares, pela ONU e por entidades defensoras dos direitos humanos, como a Anistia Internacional.
Para começar, a mulher Cruz e a filhas Andreína e Nayeska asseguram que três dias antes da morte, ele não apresentava qualquer sintoma da doença e acusam o regime de assassinato. O general reformado tinha sido transferido no dia 29 da sede do temido Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin) para outra prisão.
As suspeitas são corroboradas pelo líder opositor, ex-deputado Juan Guaidó, ao denunciar violações sistemáticas de direitos humanos na Venezuela: “O general Raúl Baduel foi assassinado pela ditadura. A ditadura que o sequestrou, torturou e lhe negou cuidados médicos. Após 12 anos de um sofrimento brutal, Baduel é o décimo preso político que morre às mãos do regime.”
Como observou Alfredo Romero, diretor da ONG Foro Penal, trata-se do terceiro dissidente morto somente este ano nas dependências do regime. A entidade contabiliza 259 presos políticos no país, 50 dos quais necessitam de cuidados médicos.
Hugo Chávez e Raúl Baduel, lado a lado, em cerimônia em Maracay, Venezuela, em 2006
Jenny Fung/AFP
A morte suspeita de Baduel reaviva a memória de outra tragédia, há três anos, que também deflagrou comoção no país. Detido sem ordem judicial no aeroporto de Caracas, o vereador Fernando Albán teria morrido ao atirar-se de uma das janelas do décimo andar da sede do Sebin, segundo o procurador Tarek William Saab, o mesmo que anunciou esta semana a morte de Baduel. Tal como agora, opositores e entidades de direitos humanos não compraram a versão do regime.
Veja os vídeos mais assistidos do g1

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here