Justiça de SP absolve um dos PMs suspeitos de matar jovem de 15 anos com 2 tiros na cabeça em 2020

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Sargento Adriano Campos foi acusado pelo assassinato de Guilherme Guedes, em junho do ano passado, em São Paulo. Corpo foi achado em Diadema, Grande SP. Policial negou crime. PM Adriano Campos (à esquerda) é acusado de matar o adolescente Guilherme Guedes com a ajuda do ex-PM Gilberto Rodrigues
Reprodução/Arquivo TV Globo
A Justiça de São Paulo absolveu, na noite desta quarta-feira (13), o sargento da Polícia Militar (PM) Adriano Fernandes de Campos, que era apontado como um dos assassinos de Guilherme Silva Guedes, de 15 anos. O adolescente foi baleado à queima-roupa e morto em 14 de junho de 2020 na Zona Sul da capital. Seu corpo foi encontrado em Diadema, na Grande São Paulo.
O Conselho de Sentença, composto por sete jurados, se reuniu por volta de 23h e o veredito saiu pouco antes da meia-noite, 14 horas após o início do julgamento.
O juiz Roberto Zanichelli Cintra também revogou a prisão cautelar de Adriano Campos.
A sentença de absolvição: “ante o exposto, e em consequência da vontade soberana dos senhores jurados, declaro ABSOLVIDO o réu ADRIANO FERNANDES DE CAMPOS, com qualificação no feito, da imputação contida nestes autos. Pelo desfecho, não há substrato para a manutenção da prisão cautelar, a qual é revogada. Em razão do adiantado da hora e considerando que hoje já houve o encerramento das atividades cartorárias, expeça-se, com urgência, alvará de soltura clausulado em favor do acusado. Procedam-se às comunicações legais de praxe. Após o trânsito em julgado, nada sendo requerido, arquivem-se os autos. Registre-se, diligenciando a serventia também com as demais formalidades de praxe. Sentença proferida neste Plenário 6 do 1º Tribunal do Júri da Capital, aos 13 de outubro de 2021, às 23h03min, saindo os presentes dela intimados”.
Segundo o Ministério Público (MP), dois seguranças particulares, o policial militar Adriano e o ex-PM Gilberto Eric Rodrigues cometeram o crime. De acordo com a denúncia, os acusados achavam que a vítima tinha invadido uma empresa com ladrões para roubar pertences dos veículos estacionados.
Adriano foi preso em 17 de junho do ano passado. Ele respondia por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima). O réu negou.
Gilberto também é acusado do mesmo crime. Ele foi preso em maio deste ano em Peruíbe, litoral paulista. O réu, no entanto, ainda terá de passar por uma audiência de instrução, marcada para o próximo dia 17 de novembro, antes de a Justiça decidir se ele também deverá ir a júri popular.
Julgamento
Polícia busca ex-PM suspeito de envolvimento no assassinato de Guilherme
“Espero a condenação. As provas incriminam os dois acusados”, falou o promotor Neudival Mascarenhas ao g1.
O julgamento de Adriano começou às 13h no plenário 5 da 1ª Vara do Júri, no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste. Por causa da pandemia somente as partes envolvidas no processo estiveram presentes: juiz, promotor, advogados, jurados, testemunhas e o réu. O júri não foi aberto ao público.
Segundo a Promotoria, Gilberto e Adriano são os homens que aparecem em um vídeo gravado por câmera de segurança (veja acima) no dia em que Guilherme foi visto pela última vez no bairro Vila Clara, em Americanópolis, Zona Sul da capital.
Horas depois, o adolescente foi encontrado morto em Diadema. O corpo dele tinha dois tiros na cabeça e marcas de espancamento.
Ex-PM
Ex-PM Gilberto Eric Rodrigues foi preso nesta terça-feira (13)
Divulgação/Polícia Civil
Segundo a Polícia Civil, Gilberto é investigado por outras 49 mortes. Há a suspeita de que o ex-PM tenha participado de 29 assassinatos no Campo Limpo e de outros 20 no Capão Redondo, entre 2012 e 2013.
Gilberto já era procurado pela Justiça antes mesmo da morte de Guilherme. Condenado por assassinatos e chacinas na Grande São Paulo, o então PM estava foragido desde 2015 do Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital, onde pulou o muro junto com outro ex-policial que estava preso por homicídio.
Ele atuava no 37º Batalhão da Polícia Militar (BPM), na Zona Sul. Depois que foi expulso da corporação e fugiu, Gilberto passou a trabalhar para o sargento Adriano, que é dono de uma empresa de segurança.
“Um dos casos mais graves de violência policial já ocorrido nos últimos anos em São Paulo e que expõe a relação perigosa entre membros da PM e as empresas de segurança privada. Assim como a existência de verdadeiros milicianos e exterminadores ligados à instituição”, afirmou o advogado Ariel de Castro Alves, especialista em políticas de direitos humanos e segurança pública pela PUC- SP e presidente do Grupo Tortura Nunca Mais.
Para os advogados Renato Soares e Mauro Ribas, que defendem o sargento Adriano, seu cliente não cometeu o crime. “Plena certeza de sua inocência”, afirmou Renato ao g1. “O mesmo não colocou ninguém dentro do veículo e tampouco matou a vítima Guilherme”.
O G1 não conseguiu localizar a defesa de Gilberto para comentar o assunto até a última atualização desta reportagem.
PM suspeito de matar adolescente de 15 anos é preso em SP
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