Published
19 minutos agoon
By

Brasileira processa empresa de MrBeast por assédio
A brasileira Lorrayne Mavromatis afirmou, em suas redes sociais, nesta quarta-feira (22), que sofreu assédio sexual e moral durante os anos em que trabalhou na empresa do youtuber MrBeast, a MrBeast Industries.
Jimmy Donaldson, conhecido como MrBeast, é o maior youtuber do mundo, com mais de 470 milhões de inscritos na plataforma. Ele ficou famoso por produzir vídeos com desafios que envolvem grandes quantias de dinheiro e por investir valores milionários em suas gravações.
Além do relato, ela entrou com um processo contra a empresa em um Tribunal na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. O g1 entrou em contato com a MrBeast Industries e aguarda posicionamento.
“Nos últimos três anos, eu trabalhei na MrBeast Industries. […] Eu estava genuinamente, profundamente orgulhosa de ter a oportunidade de trabalhar ao lado de alguns dos melhores do setor”, diz Lorrayne, no início da postagem.
“Eu era uma das poucas mulheres no alto escalão executivo e, muitas vezes, a única mulher na sala. Quando eu dava uma ideia, era chamada de burra — apenas para ficar ali e assistir um homem dizer exatamente a mesma coisa 90 segundos depois e receber uma rodada de aplausos”, completou.
“Me mandaram calar a boca na frente de toda a minha equipe”, disse.
Veja as principais acusações contra a empresa do MrBeast
Quem é MrBeast, considerado o maior youtuber do mundo
Lorrayne Mavromatis
Reprodução/Instagram
A brasileira conta ainda que foi obrigada a comparecer, sozinha, em reuniões privadas na casa do CEO da empresa, “em uma sala iluminada apenas por um abajur lateral”.
“Tive que escutar o quão atraente e bonita eu era.”
No vídeo, Lorrayne não cita o nome do CEO que a teria assediado. No entanto, o processo menciona o ex-CEO da empresa, James Warren.
Após três anos trabalhando nas empresas do MrBeast, Lorrayne contou que engravidou, mas disse que o que “deveria ser um momento mágico e feliz foi imediatamente substituído por medo”.
“Será que ainda terei um emprego? Ainda serei capaz de sustentar minha família?”
“Eu tinha uma licença-maternidade aprovada e assinada pelo RH e concordei que trabalharia até o meu último dia de gravidez. Eu disse: enquanto eu estiver em trabalho de parto a caminho do hospital, eu ligarei para vocês. E é aí que quero que minha licença comece”.
“No papel, parecia lindo, mas na realidade, não significava nada. Eu estava no hospital em trabalho de parto em uma reunião de equipe; uma semana após o parto, ainda me recuperando, privada de sono, emocionalmente e fisicamente exausta, eu já estava de volta ao trabalho.”
Lorrayne conta que foi demitida duas semanas depois de voltar da licença-maternidade. “E a razão foi: ‘você tem um calibre muito alto para essa posição. Precisamos de alguém com um calibre menor'”.
“Minha filha acabou de completar um ano. E quando olho para trás, para aqueles primeiros meses, e percebo que perdi o tempo de vínculo com o meu bebê, perdi os primeiros momentos dela — seu primeiro sorriso, sua primeira risada — isso me machuca de formas que eu nem consigo expressar. Esses momentos não esperam por você. Eles acontecem e, depois, se vão”
Lorrayne comentou ainda que não teve a chance de se recuperar, tanto física quanto mentalmente. “Tudo isso foi tirado de mim. Nunca poderei recuperar isso.”
“Hoje estou tomando medidas legais. Por todas as mulheres que enfrentaram medo no ambiente de trabalho, que foram levadas a acreditar que precisam escolher entre seus filhos ou suas carreiras. Por cada mulher que foi silenciada. Tentaram me silenciar o suficiente — mas chega.”
O que diz o processo
Entre os principais pontos da ação está a suposta violação da Lei de Licença Familiar e Médica (Family and Medical Leave Act – FMLA), que garante afastamento temporário do trabalho em situações como o nascimento de filhos.
Segundo a denúncia, a empresa teria:
Deixado de orientar formalmente a funcionária sobre seus direitos ao solicitar a licença‑maternidade.
Exigido que ela continuasse trabalhando durante o período de afastamento, incluindo: Participação em chamadas de trabalho enquanto ainda estava na sala de parto; Gestão de lançamentos de produtos; Atuação em projetos que envolveram inclusive viagem internacional ao Brasil, poucas semanas após o nascimento do filho.
Demitido a funcionária menos de três semanas após seu retorno integral ao trabalho, o que, segundo a autora, caracterizaria retaliação. A ação afirma ainda que Lorrayne foi posteriormente substituída por um homem.
O processo descreve o ambiente de trabalho como um “Clube do Bolinha”, marcado por tratamento desigual entre homens e mulheres.
Segundo a ação, Lorrayne teria sido excluída de reuniões compostas apenas por homens, além de relatar episódios considerados humilhantes.
Entre eles, estaria a ocasião em que teria sido obrigada a buscar uma cerveja para Jimmy Donaldson (nome de MrBeast) antes de uma gravação — uma tarefa que, segundo a denúncia, tinha caráter degradante, especialmente por ter ocorrido diante da equipe.
MrBeast e Lorrayne Mavromatis
Richard Shotwell/Invision/AP e Instagram