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Banco Central determina liquidação do Will Financeira
O Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira, nome fantasia do Will Bank. A instituição integra o conglomerado do Banco Master, e a medida também interrompe suas atividades.
A instituição faz parte do conglomerado do Banco Master, liquidado pelo BC em 18 de novembro. Desde então, o Will Bank vinha operando sob Regime Especial de Administração Temporária (Raet) do BC.
🔎 Quando uma instituição está em Raet, o Banco Central assume temporariamente o controle para evitar que a situação piore e cause prejuízos maiores aos clientes e ao sistema financeiro.
Criado com foco em inclusão financeira, o Will Bank era um banco digital voltado principalmente a pessoas com pouco acesso ao sistema financeiro tradicional, especialmente clientes de renda média e baixa.
A fintech surgiu em 2017, no Espírito Santo, a partir do pag!, emissor de cartões de crédito fundado por Felipe Felix — atual CEO — ao lado dos irmãos Giovanni e Walter Piana.
Em 2020, a empresa passou por uma reformulação e adotou a marca Will Bank, ampliando sua atuação para além do cartão de crédito e se consolidando como banco digital.
Ao longo dos anos, a fintech expandiu seu portfólio de produtos, incluindo conta digital remunerada, pagamentos via PIX e boletos, empréstimo pessoal, antecipação do saque-aniversário do FGTS e um marketplace com sistema de cashback.
A comunicação da marca sempre destacou uma linguagem simples e acessível, reforçando o discurso de democratização do crédito.
Em 2021, a instituição recebeu um aporte de R$ 250 milhões do fundo de private equity da XP e da Atmos Capital, que passaram a deter uma participação minoritária de 24,9%.
No ano seguinte, o banco incorporou a equipe e as parcerias da startup de cashback Getmore, acelerando a estratégia de vendas online e de marketplace.
Em 2024, o grupo passou por uma reestruturação societária relevante. Após aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central, o controle da Will Instituição de Pagamentos foi transferido ao Grupo Reag, enquanto a Will Financeira passou para o controle do Grupo Master.
Como parte do processo, ativos e passivos ligados ao arranjo de pagamentos começaram a ser transferidos da instituição de pagamentos para a financeira.
O Will Bank havia registrado melhora em seus resultados recentes. No primeiro semestre de 2024, a companhia reverteu prejuízos acumulados e apurou lucro líquido de R$ 47,4 milhões, segundo dados divulgados pela própria instituição.
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Por que a liquidação foi decretada agora?
A decisão do BC levantou a seguinte dúvida: por que o desfecho veio apenas agora, se o Master havia sido liquidado em novembro? A resposta está em uma combinação de fatores.
Após a liquidação do Master, o Will Bank passou a operar sob gestão do Banco Central, que assumiu temporariamente o controle da instituição para evitar o agravamento da situação e prejuízos maiores aos clientes e ao sistema financeiro.
Segundo o BC, houve uma tentativa de preservar a operação da instituição, visando ao interesse público.
De acordo com apurações do blog do Valdo Cruz, o Will Bank ainda não havia sido liquidado para permitir a venda a um novo investidor de origem árabe, que demonstrava interesse na compra. O negócio, porém, não foi concluído.
Somado a isso, a instituição descumpriu a grade de pagamentos com a Mastercard, o que agravou a situação. No dia seguinte, a empresa anunciou a suspensão da aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank em razão das dívidas.
Em nota, o BC citou o impasse para justificar a liquidação. No comunicado, o órgão afirma que o cenário comprometeu a “situação econômico-financeira” da instituição e caracterizou sua insolvência.
Caso Banco Master
Segundo a TV Globo apurou, Maurício Antônio Quadrado, ligado ao Will Bank, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quarta-feira (14). De acordo com fontes da PF, ele é sócio oculto de Daniel Vorcaro, dono do banco Master.
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, foi liquidado em 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central. A instituição enfrentava dificuldades financeiras, com alto custo de captação e forte exposição a investimentos considerados arriscados.
Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram diante de questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência e menções ao banco em investigações. O alerta no mercado se intensificou quando o Master passou a oferecer CDBs com rentabilidades muito acima do padrão.
Aplicativo e cartão do Will Bank
Will Bank/Divulgação