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Copa do Mundo de Pão! Brasil leva Santos Dumont, babaçu e café para surpreender na França
É ano de Copa do Mundo, e o Brasil vai entrar na disputa pela taça já nesta terça-feira (20). Mas em vez dos gramados de futebol, os desafios do time verde-amarelo serão na cozinha, entre fornos, massas e muita criatividade durante a Copa do Mundo de Panificação, em Paris, na França.
O g1 acompanhou a reta final de preparação do trio, em Vinhedo (SP), e descobriu que, para surpreender, o time aposta em sabores bem brasileiros, como babaçu e café, além de escalar uma figura de peso para a disputa, uma celebridade na França no início do século XX: Alberto Santos Dumont.
O “Pai da Aviação” será o tema da peça artística, com ao menos 1,40 m de altura, toda feita em pão, um destaque entre as diferentes preparações para avaliação dos jurados.
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Assim como no futebol, cada integrante tem sua função – e eles serão julgados pelo resultado final da equipe. Fernando será o responsável pelos pães rústicos; Evelin Karine ficará com folhados, brioches e croissants, e Fabrício Oliveira de Lima assina a peça artística.
“Levar o Santos Dumont como um dos grandes inventores do nosso país é uma honra. A gente conseguiu converter o Santos Dumont, o avião 14-bis, em pão, tudo comestível. É muito gratificante”, conta Fabrício, de 42 anos, de Guarapuava (PR).
Com homenagem a Santos Dumont na peça artística, trio brasileiro formado por Fabrício, Evelin e Fernando disputa a Copa do Mundo de Panificação em Paris, na França
Estevão Mamédio/g1
Dez anos após sua primeira participação, Fernando de Oliveira, de 45 anos, responsável por receber a equipe em sua padaria em Vinhedo, vibra com a oportunidade de mostrar ao mundo a evolução dos padeiros brasileiros.
“Claro que a gente quer ganhar, quer trazer o troféu. Se isso acontecer, vai ser maravilhoso. Mas o mais importante é levar a cultura brasileira, levar nossos sabores, mostrar que o Brasil evoluiu”, diz.
Com 28 anos, Evelin Karine, também de Guarapuava (PR), enfrentará um grande desafio: a mudança de temperatura e como isso afeta os preparos de folhados e brioches.
“São massas muito delicadas, então exigem muita atenção, porque tudo interfere. Aqui a gente está trabalhando no calor, com 30, 32 graus. Lá no campeonato vai estar frio, então vou ter que inverter todo o processo. Em vez de gelar a massa, vou deixar aquecendo. Usar água à temperatura ambiente, equilibrar para facilitar minha vida”, explica.
Países em disputa
Considerada a mais antiga e prestigiada competição do setor, a Coupe du Monde de la Boulangerie existe desde 1992 e reúne 10 países em disputa.
Além do Brasil, estão entre os selecionados os Estados Unidos e o Canadá (Américas); França e Dinamarca (Europa); Marrocos e Senegal (África); e Coreia do Sul, Japão e Taipei (China), representando a Ásia.
Dona da casa, a França é a atual campeã, e acumula quatro conquistas, mas os asiáticos estão entre os protagonistas nas últimas duas décadas. Veja o ranking:
1992: França
1994: Suíça
1996: França
1999: EUA
2002: Japão
2005: EUA
2008: França
2012: Japão
2016: Coreia do Sul
2020: China
2022: Taipei (China)
2024: França
Vale destacar que todo empenho tem, segundo os competidores, o objetivo de inspirar novos padeiros no Brasil. O time até conseguiu um patrocínio para arcar com parte dos custos da viagem, mas tem investimento próprio para arcar com passagem, hotel e insumos.
Não há premiação em dinheiro para os campeões mas, sim, o reconhecimento.
“As pessoas não imaginam o que é. É muito extenuante, estressante. Você tem que deixar tua família de lado. É um investimento pessoal. É preciso ascompetições para elevar o nível, para depois você ter a capacidade de treinar colaboradores, inspirar pessoas e ser um formador de profissionais”, destaca Fabrício.
Fernando (à esq.), Fabrício e Evelin treinaram em Vinhedo (SP) antes de embarcar para a França com destino a Copa do Mundo de Panificação
Estevão Mamédio/g1
Maratona na cozinha
Ao todo, serão pelo menos 20 preparações diferentes no período de 8 horas, após duas horas de pré-preparo no dia anterior.
Mas, além de cumprir exigências, o trio quer surpreender no sabor e na criatividade com ingredientes bem brasileiros. Entre eles, um pão com foco em sustentabilidade, que leva farinha de babaçu, infusão de casca de maçã, resíduos de malte tostado e farinha de rosca.
“Esse é um pão de inovação que eles pediram este ano, pensado no reaproveitamento. Ele tem farinha de rosca, que vai trazer mais sabor, farinha de babaçu e bagaço de malte, que trazem sabor, crocância. É um pão já pensando no futuro, evitando desperdício, já que cada vez mais o alimento vai ser mais complexo”, explica Fernando.
Outro destaque é um pão orgânico e nutricional, em que os grãos e sementes serão moídos na hora e que leva farinha de espelta, sementes de abóbora, linhaça, aveia e castanha-do-pará.
☕ Já o pão aromático do Brasil conta com café, castanhas brasileiras (amendoim, caju e castanha-do-pará) e rapadura.
E o banheiro?
Para tudo isso dar certo em solo francês, o time realizou, na véspera da viagem, duas sequências de oito horas na cozinha da padaria para aperfeiçoar os preparos e entrosamento.
É tanta correria, que é difícil até mesmo parar para ir ao banheiro.
“É um grande desafio, porque dá fome. Às vezes, a gente pega a massa que assa ali e come, um recheio. Se tomar muita água, dá vontade de ir no banheiro, que numa competição é longe. Então você tem que segurar a vontade até onde der”, brinca Fernando.
Time brasileiro na Copa do Mundo de Panificação: Fernando Oliveira, Evelin Karine e Fabrício Lima
Estevão Mamédio/g1
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