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Ashley St. Clair
Reprodução/Instagram
A mãe de um dos filhos de Elon Musk entrou com um processo nesta quinta-feira (15) contra a xAI, empresa de inteligência artificial do bilionário.
Segundo ela, o Grok — chatbot da companhia integrado à rede social X — permitiu a criação de deepfakes (quando imagens reais são alteradas por inteligência artificial), de cunho sexual com o seu rosto, causando humilhação e sofrimento emocional.
Ashley St. Clair, de 27 anos, afirma que usuários usaram o chatbot para gerar imagens falsas que incluem uma foto dela aos 14 anos — originalmente vestida — alterada para parecer que usava biquíni. Outras montagens a mostram já adulta em poses sexualizadas e usando um biquíni com suásticas. St. Clair é judia.
Ela pede uma indenização de valor não divulgado por danos morais e outras alegações, além de uma ordem judicial para que a xAI seja impedida de permitir novas criações de deepfakes com sua imagem.
Advogados e representantes da xAI não responderam imediatamente aos e-mails solicitando comentários nesta sexta-feira (16).
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O caso ocorre em meio a uma onda de críticas e protestos contra a geração de imagens sexualizadas de mulheres e crianças por meio do Grok.
Após repercussão negativa internacional, a xAI anunciou na quarta-feira (14) que o chatbot deixaria de editar fotos para retratar pessoas reais com roupas reveladoras em locais onde esse tipo de conteúdo é ilegal.
A empresa também afirmou que está implementando novas medidas de segurança, como a limitação da criação e edição de imagens a contas pagas — o que, segundo a companhia, aumentaria a responsabilização dos usuários.
A xAI declarou ainda ter tolerância zero a exploração sexual infantil, nudez não consensual e conteúdo sexual indesejado. Segundo a empresa, esse tipo de material será removido imediatamente, e contas envolvidas em abuso sexual infantil serão denunciadas às autoridades.
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‘Me sinto humilhada e tenho a sensação de que esse pesadelo nunca vai acabar’
St. Clair disse que denunciou os deepfakes ao X depois que eles começaram a circular, em 2025, e pediu que fossem removidos. Segundo ela, a plataforma respondeu inicialmente que as imagens não violavam suas políticas.
Em seguida, afirmou, a empresa prometeu impedir o uso ou a alteração de imagens dela sem consentimento.
Apesar disso, St. Clair diz que a rede social retaliou contra ela ao cancelar sua assinatura premium e retirar seu selo de verificação, o que a impediu de monetizar sua conta, que tem cerca de 1 milhão de seguidores. Ela também afirma que as imagens falsas continuaram sendo publicadas.
“Sofri e continuo a sofrer dores intensas e angústia mental como resultado do papel da xAI na criação e distribuição dessas imagens minhas alteradas digitalmente”, disse ela em um documento anexado ao processo.
“Me sinto humilhada e tenho a sensação de que esse pesadelo nunca vai acabar enquanto a Grok continuar gerando essas imagens minhas.”
Ela também disse que vive com medo das pessoas que visualizam os deepfakes.
Disputa judicial em dois estados
St. Clair é mãe de Romulus, filho de Musk de 16 meses, e mora em Nova York, onde entrou com o processo na Suprema Corte estadual.
Na quinta-feira, advogados da xAI transferiram o caso para o tribunal federal de Manhattan, pedindo que a ação fosse analisada nessa instância.
No mesmo dia, a xAI também entrou com uma ação contra St. Clair no tribunal federal do Distrito Norte do Texas. A companhia alega que ela violou os termos de seu contrato de usuário com a xAI, que exige que ações judiciais contra a empresa sejam apresentadas em um tribunal federal no Texas.
A companhia pede uma indenização de valor não divulgado.
O X tem sede no Texas, estado onde Musk mantém residência e onde fica a sede da Tesla, sua montadora de veículos elétricos, em Austin.
Carrie Goldberg, advogada de St. Clair, classificou a ação da xAI como uma manobra “chocante” que ela nunca tinha visto antes por parte de um réu.
“A Sra. St. Clair defenderá vigorosamente seu caso em Nova York”, disse Goldberg em um comunicado.
“Mas, francamente, qualquer jurisdição reconhecerá o cerne das alegações da Sra. St. Clair — que, ao fabricar imagens sexualmente explícitas e não consensuais de meninas e mulheres, a xAI representa um incômodo público e não é um produto razoavelmente seguro.”
Os filhos de Elon Musk
Arte/g1